terça-feira, 21 de novembro de 2017

Dançando no escuro (RJ)

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Foto: Elisa Mendes


Julia Gorman, Lucas Gouvea, Juliane Bodini e Greg Blanzat

Excelente versão para teatro do filme de Lars von Trier e de Björk


O musical “Dançando no escuro” é uma das produções mais celebradas do ano de 2017 na grade de programação do teatro carioca. Trata-se de uma excelente adaptação para teatro do filme que Lars von Trier e que Björk fizeram no ano 2000. A montagem brasileira, partindo de uma dramaturgia escrita pelo escritor novaiorquino Patrick Ellsworth, inaugura Dani Barros como diretora e Juliane Bodini como protagonista em musicais. Idealizada por Bodini e por Luis Antônio Fortes, a produção, que também contou com Suzana Nascimento, Marino Rocha e grande elenco em ótimos trabalhos, ficou em cartaz entre 19 de outubro e 19 de novembro no Teatro do Sesc Ginástico, no centro do Rio de Janeiro. Deve voltar em breve e viajar pelo país para a glória de quem procura bons espetáculos para assistir.

O filme de Lars von Trier e de Björk
A história é aparentemente simples, mas é oportunidade para o trato de questões bem mais complexas. Tudo se passa em Washington, nos Estados Unidos, em 1964: o auge da Guerra Fria entre capitalistas e comunistas. Selma Jezková (Juliane Bodini) é uma imigrante da Tchecoslováquia (que hoje está dividida em dois países - a República Tcheca e a Eslováquia), nação então governada pelo partido comunista, que mora com seu filho em um trailer alugado e trabalha em uma fábrica local. Sua vida é muito limitada pelas preocupações com sua sobrevivência em terra estrangeira. Quando a peça começa, fica o espectador sabendo de duas coisas importantes sobre a protagonista: Selma sofre de uma doença degenerativa devido a qual está perdendo gradativa, mas rapidamente a visão. O mal é hereditário e só uma cirurgia bem cara pode livrar seu filho Gene, que ainda é uma criança. Selma junta dinheiro economizando como pode para essa operação. A outra coisa essencial para a personagem é o valor dos musicais em sua vida. Assistir aos filmes do gênero lhe permite escapar da dura realidade em que ela vive. Na fábrica, estão organizando uma montagem amadora da peça “A noviça rebelde” e Selma se prepara para viver Maria von Trapp. Na vida real, no mesmo período, a ainda desconhecida do grande público Julie Andrews ensaiava para viver a mesma Maria no cinema naquele filme que se tornou um dos maiores sucessos da história de Hollywood (e que estreou em 1965). A dor e o prazer são os opostos em meio aos quais vai Selma dançar a sua tragédia.

O gênero trágico chega a nós através do que o ocidente sabe hoje de teatro grego e de mitologia grega. Quando Édipo, príncipe de Corinto, fica sabendo por um oráculo que mataria seu pai e se casaria com a mãe, ele foge para longe daqueles que o criaram até chegar a Tebas, onde se torna rei ao se casar com a rainha Jocasta. O destino, no entanto, é mais forte do que as artimanhas do homem. Édipo descobre a verdade sobre si mesmo: ele é filho de Jocasta com Laio, homem que o príncipe sem saber assassinou antes de entrar na cidade, e com ela teve quatro filhos. Em “Dançando no escuro”, desde sempre, sabe-se que a luta de Selma para salvar o filho será em vão. Uma mulher pobre, mãe solteira, imigrante e comunista não tem direito à felicidade. Quanto mais feliz ela se parece (a música “Eu já vi tudo” é um ponto chave para isso.), mais rebelde fica. E a sociedade dita civilizada, na denúncia do roteiro original e da direção cinematográfica de Lars von Trier e das letras e das canções originais de Björk, não tolera isso. Selma precisa ser punida por ser quem é.

Há uma coisa da qual o espectador da peça precisa se lembrar antes do espetáculo começar: teatro não é cinema. O filme, disponível em DVD para qualquer um assistir como, quando e quantas vezes tiver vontade, se organiza a partir de uma estrutura de signos que lhe é própria. O teatro, por sua vez, tem a sua própria linguagem e talvez o elemento mais importante dela seja a questão do encontro entre atores, personagens e público. “Dançando no escuro”, espetáculo teatral a qual essa crítica se refere, não está agora (21 de novembro de 2017) em cartaz em nenhum teatro. Portanto, ninguém a verá hoje por mais que queira. Além disso, durante cada apresentação de sua primeira temporada, cada sessão foi única e, de um modo específico, irrepetível: sem opção de pause, fast foward, rewind ou stop. O semiólogo Christian Metz, ao falar sobre a linguagem cinematográfica, diz que o cinema é mais realista que o teatro porque estabelece com o público uma relação mais livre. Na plateia de um teatro, a reação do público interfere na encenação. Na tela, a Selma de Björk permanecerá a mesma para sempre. Não há a imagem de trens passando, nem de incontáveis bailarinos dançando, tampouco closes no palco, mas há um grupo de pessoas tão reais quanto o público diante da plateia vivendo aquelas sensações.

Um outro ponto importante da narrativa é o modo como a obra “Dançando no escuro” conversa com o gênero musical. O que corriqueiramente se chama de musical, de uma maneira ampla, tem a ver com a comédia musical norte-americana. O gênero é uma embocadura onde se encontram e se misturam com maior ou com menor força cinco outros: a comédia burlesca, o teatro de vaudeville americano (não confundir com o vaudeville francês!), a opereta, o ballet e a stravaganza. Sobre esse último, que é sobre o que menos se fala hoje em dia, vale dizer que ele se refere aos espetáculos visuais produzidos no início do século XX em Nova Iorque: sem narrativa, com grandes cenários, figurinos brilhantes, mulheres esplendorosamente bonitas e música pujante. (No Brasil, o nome disso hoje em dia é Carnaval da Marquês de Sapucaí.) “Dançando no escuro” praticamente não explora esse subgênero com raras exceções. No filme, a canção “In the musicals” surge quando Selma é presa e levada a julgamento. Como suposto pai da personagem, o ator Joel Grey aparece, ele que fez os inesquecíveis MC de “Cabaret” (tanto no teatro como no cinema) e o Mágico de Oz em “Wicked” entre tantos outros papeis importantes em musicais. Sua presença é simbólica como referencial. Em termos estéticos, além disso, há que se notar que a fotografia é suja, que a voz de Björk não tem nada do preciosismo da de Julie Andrews, que não há qualquer respiro cômico, mas que tudo isso é levemente mencionado. Ou seja, “Dançando no escuro” se refere aos musicais, mas não quer ser lido como tal e foge dessas leituras. É preciso ler a obra como ela é.

Desde o lançamento do filme e também motivado pelos inúmeros prêmios que a obra recebeu pelo mundo, Patrick Ellsworth quis assinar a adaptação para teatro. Nas primeiras versões, em 2003 e 2006, escreveu uma abordagem sem as canções. Depois, em 2007, o dinamarquês Paul Ruders escreveu uma ópera chamada Selma Jezková sobre a protagonista. Só em 2012, em Stuttgart na Alemanha, o filme foi produzido para o palco em montagem dirigida pelo alemão Christian Brey. Fora dessa, a versão traduzida por Elidia Novaes no Brasil é a primeira na América.

A primeira direção de Dani Barros
A direção de Dani Barros parece entender que ver é uma ação que pode mas não é necessariamente relacionável com o objeto visto. Nesse sentido, ela não mostra, mas faz ver. O teatro (que significa “lugar de onde se vê”), que nasceu flertando com o ritual religioso, que quis ser música e literatura, nas últimas décadas, investiga as possibilidades de um namoro com a audiovisualidade. Cada vez mais, da plateia, veem-se vídeos em uma não-interrupção do que se vive fora dali (nas casas de 95,1% dos brasileiros, em pesquisa do IBGE de 2012, há televisores. Até o final de 2017, a expectativa é de que haja um smatphone por habitante no país.). Por isso, há que se saudar sua iniciativa de oferecer uma obra na contracorrente. Quanto mais sua protagonista Selma perde o sentido físico da visão, mais o público se vê diante da maldade do homem. Em um espetáculo em que praticamente nem o cenário nem o figurino têm grandes modificações, Barros parece compreender o papel dos atores em fazer ver as estruturas sobre as quais se movimentam. É no corpo, nas vibrações sonoras, nas intenções que a peça prende a atenção da audiência e o espectador assume a sua responsabilidade. Em quase todas as cenas, a vontade de quem assiste é quem preenche o quadro, mas isso só acontece porque há estímulos muito bem engendrados vindos da cena. E o mérito da direção está no modo como esse acordo parece viável.

O jogo que se estabelece entre os personagens por meio da ação dos intérpretes sobre os signos em meios aos quais eles se movimentam favorece a construção imagética do espetáculo. Em três partes distintas, “Dançando no escuro” se organiza. No início, Selma é uma funcionária quase comum a não ser por gostar muito de musicais e por manter-se em uma vida muito regrada e afoita a contatos sociais. No centro, a relação entre ela e o policial americano Bill (Lucas Gouvea) ganha importância definitiva no argumento político da narrativa. No fim, completamente separada da sociedade, a heroína trágica se opõe aos homens em um espelho invertido: já não reflete a aparência, mas acusa a profundidade. Em cada um desses momentos, o gestual dos atores vai ficando cada vez menor, mais cuidadoso, mais sutil e consequentemente mais importante. Nesse trecho, é como se tudo fosse a Grécia parada, testemunhando Ifigênia ir por sua própria conta ao altar à Ártemis para ser sacrificada. Essa imobilidade se confunde com a cegueira: ver e não fazer nada é muito pior que não ver.

Os brilhos de Suzana Nascimento e de Juliane Bodini
No trecho final da montagem teatral “Dançando no escuro”, a participação de Suzana Nascimento se torna absolutamente definitiva. Em um trabalho excelente, ela dá vida à policial Brenda Young, responsável por Selma na prisão. Nos momentos finais da peça, é Young quem fura o cerco, a única que desenha a si mesma em uma direção diferente das outras figuras as quais o público vem acompanhando desde o início da peça. Enquanto todos os outros personagens vão diminuindo suas ações, Young pulsa cada vez mais. Talvez, para Lars e para Barros, ela seja um símbolo da Primavera de Praga de 1968, época conturbada da história em que a juventude (“young” é jovem em inglês) interferiu nas políticas públicas em vários lugares do ocidente, incluindo a Tchecoslováquia, os Estados Unidos e o Brasil. Para quem está especialmente tocado com a cena, Nascimento (sobrenome não menos simbólico que Young) dá voz e oferece lugar em atuação vibrante em que cada traço é imperdível. É belíssimo!

Elenco
Há ainda a ótima participação de Cyria Coentro (a amiga Carmen Baker) e as boas atuações de Marino Rocha (o chefe Norman), de Julia Gorman (Linda Houston) e de Lucas Gouvea (Bill Houston). Todo o elenco, também composto por Luis Antônio Fortes (Jeff), Andreas Gatto (Samuel) e Greg Blanzat (Gene Jezková), oferece trabalhos que buscam pautar suas importâncias na narrativa dentro do que a história lhes oferece, ganhando mais ou menos as batalhas, mas no conjunto sempre a guerra. Em cada personagem, paira um contorno da humanidade da qual nós fazemos parte e é importante reparar a função de cada um no discurso e consequentemente o mérito da interpretação dentro do que está proposto.

Uma das situações bastante comentadas na crítica teatral fluminense acerca de “Dançando no escuro” é o boneco de Oldrich Novy, personagem que no filme foi interpretado pelo já citado Joel Grey. Devem parecer claras as motivações estéticas prováveis para a escolha. Em primeiro nível, no texto, está uma referência a Oldrich Novy (1899-1983), um célebre ator tcheco responsável por inúmeros papeis importantes no teatro, no cinema e na televisão do leste europeu que sofreu com as transformações do mundo depois da Segunda Guerra. Seria difícil para a produção do espetáculo encontrar um grande ator como Novy ou como Grey apenas para uma pequeníssima participação ao longo de todas as apresentações de todas as temporadas. Em segundo e mais importante nível, está possivelmente um ponto de vista sobre a cena em que ele aparece. Interrogada sobre o destino do dinheiro que guardava, Selma mente que o enviava ao pai Oldrich Novy na Tchecoslováquia sem suspeitar de que, nos Estados Unidos, iriam investigar até descobrir que Novy era um ator e que não tinha qualquer relação com Selma. A presença de um boneco em cena pontua o lugar da mentira de maneira essencial: mente Selma sobre o dinheiro de um lado, todo o julgamento é uma farsa política de outro. Dentro desses propósitos, o uso de um boneco para a viabilização de um personagem parece ter sido uma medida bem usada.

Para além de qualquer outra coisa ou pessoa, as maiores atenções recaem sobre Juliane Bodini, aquela que, para além de todas as adversidades da produção e de todos os desafios da atuação, precisa de início vencer o duelo contra a memória afetiva do grande público em relação à Björk. É claro que ninguém vai se esquecer de Vivien Leigh em “...E o vento levou”, Judy Garland em “O mágico de Oz”, Elizabeth Taylor em “Cleópatra”, Julie Andrews em “Mary Poppins” e em “A noviça rebelde”, Liza Minnelli em “Cabaret” e nem tampouco de Björk em “Dançando no escuro”. Mas é, considerando todas essas lutas, que se precisa perceber os inúmeros méritos de Bodini no sucesso do espetáculo, que ela idealizou, produz e protagoniza.

O resultado é vibrante. Björk tem uma registro vocal muito específico e que sócio-culturalmente ganhou relevância no mercado também por questões políticas. Bodini, muito mais afinada, parece saber que não conseguiria atingir o grande público se ousasse oferecer um remake da cantora islandesa. Sua versão permanece mantendo uma estética intimista, quase banal que um Lars von Trier pós-dogma95 queria para a personagem na construção de um efeito de real, mas sem eximir-se do bel canto. Além disso, há um excelente trabalho de atuação sobretudo nas duas primeiras partes da peça, quando mais possibilidades lhe são oferecidas pela adaptação dramatúrgica. Eis um excelente trabalho de corpo e de voz aliado a uma enorme coragem em relação a todos os outros desafios externos da produção. Aplausos!

Os méritos de Marcelo Alonso Neves e da Áudio Cênico
“Dançando no escuro” tem ainda ótimas colaborações do cenário de Mina Quental, do figurino de Carol Lobato e da luz de Felício Mafra. Todos esses recursos parecem estar plenamente disponíveis em favor de uma estética que reforce o caráter restrito em que vivem os personagens: uma pequena comunidade de trabalhadores de uma fábrica, sem muitas possibilidades de sonhar, aprisionados às suas existências. As referências ao ferro e ao cinza e às luzes sem cor em cortes rígidos pontuam um terreno contra o qual vai se opor Maria von Trapp. Um dos dois lados vai ganhar: de um, quem foge da guerra cruzando os Alpes; de outro, quem é atingida pelas diferenças sociais. Em tudo, se vê muito bom gosto!

No entanto, o elemento mais bem usado dessa montagem é a Direção Musical de Marcelo Alonso Neves a partir das versões de Marcelo Frankel e de Juliane Bodini para as músicas de Björk. Com desenho de som assinado pela Áudio Cênico (Andrea Zeni e Joyce Santiago), a participação de Neves atinge níveis altíssimos. Na peça, os sons cotidianos se tornavam música para Selma e, mais do que isso, convites para ela escapar da realidade e se salvar no sonho. Nesse sentido, o modo como as sonoridades (musicais ou não) atuam na construção da narrativa é fator relevante na consideração do espetáculo. E que aqui merecem ser elogiados. Espalhadas ao longo da apresentação, as incursões sonoras permitem ao público experimentar a cegueira da protagonista que se ampara na música para continuar vivendo. Sem dúvida, isso motiva uma relação muito mais próxima entre o público e a peça.

A humanidade
“Dançando no escuro” é uma obra impactante que chega aos palcos de maneira inteligente, bem cuidada e produzida de modo excelente. Quem não conhece a obra de Lars von Trier e de Björk pode gostar muito da versão que Dani Barros e Juliane Bodini trazem ao Brasil. Quem conhece pode se lembrar, com o espetáculo, de que, embora se tratem de personagens fictícios, é tudo sobre humanidade. E que humanidade não é feita de imagens que se mexem na tela branca e nas redes sociais, mas de homens e de mulheres como nós que estão a nosso alcance.

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Ficha Técnica
Musical baseado no longa-metragem de Lars von Trier
Adaptação Teatral: Patrick Ellsworth
Tradução: Elidia Novaes
Direção: Dani Barros
Músicas Originais: Björk
Direção Musical e Arranjos: Marcelo Alonso Neves
Idealização: Juliane Bodini e Luis Antonio Fortes
Direção de Produção: Jéssica Santiago

Elenco: Juliane Bodini (Selma Jezková), Cyria Coentro (Carmen Baker), Luis Antonio Fortes (Jeff), Andreas Gatto (Samuel), Greg Blanzat (Gene Jezková), Julia Gorman (Linda Houston), Lucas Gouvea (Bill Houston), Marino Rocha (Norman) e Suzana Nascimento (Brenda Young)

Músicos: Vanderson Pereira (multi tecladista), Johnny Capler (baterista), Allan Bass (baixista) e Dilson Nascimento (multi tecladista)

Cenário: Mina Quental
Figurino: Carol Lobato
Iluminação: Felicio Mafra
Preparação Vocal: Mirna Rubim
Direção de Movimento e Coreografias: Denise Stutz
Aulas e Coreografia do Sapateado: Clara Equi
Preparação Corporal e Assistente de Direção de Coreografias: Camila Caputti
Visagista: Marcio Mello
Versionista: Marcelo Frankel e Juliane Bodini
Percussão Corporal: Mauricio Chiari
Sonorização: ÁUDIO CÊNICO – Andrea Zeni e Joyce Santiago
Assistentes de Direção: Rubia Rodrigues e Camila Caputti
Assistente de Visagismo: Roberto Santiago
Produção Executiva: Camila Santana e Liliana Mont Serrat
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Programação Visual: Daniel de Jesus
Fotos do Material Gráfico: Nana Moraes
Fotos de making off e registros: Los Padrinos Fotografia – Roberto Carneiro
Marketing Digital: Maria Alice
Marketing Cultural: TEM DENDÊ! Produções – Tamires Nascimento
Assessoria Jurídica: Heloisa Mourão
Assessoria Contábil: FORTES Contabilidade
Confecção de Boneco: Bruno Dante
Instrutor de manipulação de bonecos: Marcio Nascimento

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