terça-feira, 8 de novembro de 2016

Até o final da noite (RJ)

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Foto: divulgação


Rogério Garcia, Letícia Cannavale, Isio Ghelman e Angela Vieira

Isio Ghelman e Angela Vieira brilham em nova comédia de Julia Spadaccini

O ótimo “Até o final da noite” é o mais novo espetáculo com texto de Julia Spadaccini e direção de Alexandre Mello, dupla que já assinou os bastante elogiados “Quebra-ossos (2012)” e “Um dia qualquer (2013)”. Trata-se de uma comédia de boulevard: na casa de um deles, dois casais de gerações distintas se encontram e, pelas oposições entre eles, surgem conflitos que os distanciam e os aproximam. O público se diverte, mas também leva algumas reflexões interessantes para enfrentar o seu dia a dia. Com Rogério Garcia e Letícia Cannavale em boas colaborações, a peça tem ótima atuação de Angela Vieira e excelente trabalho de Isio Ghelman. Vale a pena conferir a montagem que fica em cartaz até o próximo dia 14 de novembro no Teatro Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

Na dramaturgia, dois mundos que se encontram
Olavo (Isio Ghelman) e Ana Lúcia (Angela Vieira) estão casados há trinta anos. Ele é um contador e ela dona de casa. Juntos eles tiveram um filho que se mudou há pouco tempo para o Leste Europeu, deixando uma sensação de vazio principalmente nela. A peça começa quando eles se preparam para receber Edu (Rogério Garcia) e Branca (Letícia Cannavale), que vêm para jantar. O encontro de um casal mais novo com um mais velho cheira a “Quem tem medo de Virgínia Woolf?”, mas as semelhanças realmente param na situação similar.

Em “Até o final da noite”, pairam dois mundos em conflito: aquele que deixa de existir e aquele que toma o seu lugar. De um lado, estão os relacionamentos físicos, os laços duradouros, o papel jornal, a cebola que precisa ser cortada, os segredos mantidos. Do outro, estão as relações virtuais, o imediatismo, o bluetooth, a ansiedade. O texto de Spadaccini não avalia um pelo outro, mas os justapõe, revelando a beleza e o horror de cada um deles.

Enquanto aceita as motivações do texto de “Até o final da noite”, o espectador se vê em uma história que abre caminhos, mas que, talvez ciente de sua verve mais reflexiva, não faz do seu fechamento uma obrigação. De modo habilidoso, Julia Spadaccini deixa para o público, se quiser, a colocação de um ponto final. Ele pode, no entanto, deixar tudo continuar, assumindo daí sua culpa (ou seus méritos) na longevidade dessa história.

Isio Ghelman brilha!
A direção de Alexandre Mello, assistida por Renato Livera, tem o valor de abrir espaço, no texto, para a contribuição dos atores na viabilização dos quatro personagens. É bonito ver como cada intérprete parece ter (ou não) aproveitado as oportunidades para tornar o diálogo ainda mais próximo do público. Não há grandes movimentações, nem muito exercício de teatralidade, mas, como parece convir ao texto, sobra excelente ritmo nos diálogos, na estruturação das cenas e na articulação delas no todo da comédia.

Rogério Garcia (Edu) aproveita pouco as poucas chances que tem e, embora apresente boa colaboração, não se destaca. Letícia Cannavale (Branca) chama para si mais atenção, defendendo uma personagem que, ainda que aparentemente segura, está vivendo uma crise que há de explodir a qualquer momento. E sua sensibilidade em sustentar essa tensão lhe vale elogios. Angela Vieira (Ana Lúcia), com uma postura belíssima, vai deixando, de modo muito sutil e cenicamente inteligente, ver níveis mais íntimos de sua personagem, expondo sua problemática e filtrando a dos demais.

“Até o final da noite” é mais uma oportunidade do público carioca de conferir uma excelente interpretação de Isio Ghelman. Nesse espetáculo, com habilidade, o ator apresenta enorme repertório de expressões que abraça o público na medida em que sensibiliza a plateia com seu enorme carisma. O feito, que ecoa em todos os demais personagens, em especial em Vieira, eleva os níveis estéticos do espetáculo.

A busca da felicidade
A peça tem figurinos de Ticiana Passos, luz de Renato Machado e trilha sonora de Leandro Baumgratz, atingindo seus objetivos sem aparentemente muitos problemas nem grandes desafios. O cenário de Beli Araújo, corajosamente, investe mais no lúdico do que no realismo, criando um conflito na relação com todos os elementos. A opção positivamente oxigena a recepção do espetáculo, impondo leveza e mantendo o interesse.

Para além de questões acerca dos relacionamentos, “Até o fim da noite” sugere uma belíssima reflexão sobre a busca da felicidade. Para uns, talvez ela se esconda de quem a procure. Para outros, não buscá-la é um pecado. Sem muitas pretensões, a montagem sai ganhando. E quem assiste mais ainda!

*

FICHA TÉCNICA
Autora: Julia Spadaccini
Direção: Alexandre Mello

Elenco:

Angela Vieira – Ana Lucia
Isio Ghelman – Olavo
Letícia Cannavale – Branca
Rogério Garcia – Edu

Direção de produção: Rogério Garcia
Iluminação: Renato Machado
Cenografia: Beli Araújo
Figurinos: Ticiana Passos
Direção de movimento: Márcia Rubin
Produção: Paula Loffler
Assistente: Felipe Porto
Programação Visual: Humberto Costa Ribeiro
Assessoria de imprensa: Daniella Cavalcanti

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sob o céu (RJ)

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Foto: divulgação

Rogério Barros e Marta Paret


Marta Paret e Rogério Barros em novo ótimo espetáculo

“Sob o céu” é a mais nova peça da dupla de atores Marta Paret e Rogério Barros. Eles atuam no espetáculo escrito por Maria Elisa Barredo e dirigido por Gilberto Gawronski, cuja história gira em torno de dois moradores de rua. Um deles se vê na possibilidade de ir com o outro para um casarão abandonado prestes a ser invadido, mas seu companheiro estranhamente não vê nisso uma boa coisa. Nesse duelo de posicionamentos, a plateia ganha uma excelente oportunidade de refletir sobre a vida e seus valores. A montagem fica em cartaz, somente aos domingos, no pátio do Centro Cultural do Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

Maria Elisa Barredo estreia bem como dramaturga
Anoitece em uma rua qualquer e, querendo agradar, um morador de rua (Rogério Barros) traz comida para outra (Marta Paret). Esse é o primeiro gesto, nesse momento, de um conjunto de ações que expressa o quanto um é valoroso para o outro. O teto, a moradia, o lugar onde morar e viver, para esses personagens, vai além de uma casa propriamente dita e o melhor da dramaturgia de “Sob o céu” talvez seja perceber isso.

A possibilidade de irem embora dali e passarem a viver sob o teto de uma grande casa, protegidos contra as intempéries do clima, a sujeira da rua e contra o barulho não agrada os dois personagens, pois um deles prefere ficar onde está. O estranhamento acerca disso faz brotar dúvidas sobre a durabilidade dos laços entre eles e o passado. Desde o início, notou-se os o comportamento dos dois não é embrutecido da mesma maneira. Há um que é talvez tenha tido um passado mais refinado.

“Sob o céu” trata, antes de qualquer outra coisa, de valores, isto é, daquilo que, em alguém, é importante. Conforto, segurança, estabilidade, mas também liberdade são questões abordadas na peça que servem de oportunidade para quem a vê de refletir. É o primeiro texto para teatro da roteirista Maria Elisa Barredo, mas já esse revela, através de diálogos fluídos e de narrativa bem contornada, o início de uma feliz nova carreira.

Ótimos trabalhos de atuação
A direção de Gilberto Gawronski aposta no realismo, aproximando a construção dos personagens do referencial que o público possa ter de um modo geral. Talvez a opção aproveite pouco as muitas possibilidades da dramaturgia – a estética do bufão enriqueceria mais – mas é possível que tenha a ver com o objetivo da montagem. Essa versão de “Sob o céu” quer menos propor uma estética e partir mais diretamente para o debate, e isso é um mérito a ser considerado em sua análise.

O jogo que se estabelece entre os atores é viabilizado em ótimo ritmo e a produção dialoga com o espaço de maneira muito rica. Tudo parece interligado, evidenciando articulação através do qual cada parte colabora bem para o todo e vice-versa. “Sob o céu” atravessa o tempo e usa as contribuições existentes no local onde a apresentação se dá de modo brilhante.

Marta Paret e Rogério Barros apresentam vibrantes atuações. Ele, em torno do qual se estabelece a narrativa, tem mais possibilidades que ela devido à natureza de seu personagem, mas ambos merecem elogios. Nos dois, é possível identificar enorme sensibilidade, expressões marcantes e dosagem variável nos traços, dando a ver a evolução do ritmo da narrativa. Em destaque, está o uso do corpo e da voz em espetáculo que se apresenta a céu aberto, enfrentando os vários desafios do espaço.

Os demais elementos, assinados pelo coletivo, fazem ótima colaboração com o todo. Eles envolvem o espaço, corroboram com uma estética realista e oferecem um panorama em que se viabilizam belas imagens.

Ótima pedida!
“Sob o céu”, pela emoção que possibilita, mas principalmente pelo valor da reflexão que promove, deve ser visto também pelos seus méritos artísticos. Eles são muitos! Taí uma ótima opção na grade de programação carioca. Vale lembrar que essa peça divide lugar com “Navalha na carne”, outra ótima montagem também defendida por Marta Paret e por Rogério Barros (com Zé Wendell Soares no elenco também).

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Ficha técnica:
Texto: Maria Elisa Barredo
Direção: Gilberto Gawronski
Elenco: Marta Paret e Rogério Barros

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Bataclã (RJ)


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Foto: Claudio Louro



O elenco reunido

Bom espetáculo nos 30 anos do Grupo Nós do Morro

“Bataclã” é o bom espetáculo que, ao lado de “Abalou, um musical funk”, comemora os 30 anos do Grupo Nós do Morro. A montagem, como é de costume, valoriza a cultura da comunidade do Morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, celebrando parte de seus valores, de sua estética e de sua memória. O texto de Luiz Paulo Corrêa e Castro, monótono em vários momentos, tem o mérito de apresentar uma casa onde diversas histórias de variados personagens se dão, celebrando o espaço como lugar de cruzamento de muitas vidas e de suas realidades. A direção de Fernando Mello da Costa perde oportunidades de ressaltar os aspectos mais positivos do todo. No elenco formado por doze intérpretes, Sabrina Rosa, Luís Delfino e Melissa Arievo se destacam positivamente. O espetáculo estreou no fim de setembro e sua primeira temporada, no Espaço SESC Copacabana, acabou no último dia 29 de outubro. Outra está para começar no Teatro Serrador, no centro da capital fluminense.

Na dramaturgia, uma nova versão realismo naturalismo
O Bataclã, lugar onde a narrativa se passa, é o protagonista da história mais do que qualquer outro personagem. Por isso, talvez, esse seja o nome da peça, que se passa durante os anos 70, no Morro do Vidigal. Trata-se de uma casa onde algumas pessoas moram e outras estão passagem que é testemunha de tudo o que lhes acontece. Berê (Melissa Arievo) e César (Luís Delfino) parecem exercer alguma liderança sobre os demais. A diretora de teatro Maria Vohic (Lorena Baesso) acabou de chegar ao Brasil vinda de Nova Iorque, trazendo consigo um olhar crítico sobre nosso país. Rocha (Helio Rodrigues) é alguém que lhe acompanha. Brasinha (Hugo Alves), Augusto (Marcello Melo), Zé Roberto (Renan Monteiro), Mário (Eduardo Bastos) e Animal (Wendel Barros) são alguns rapazes frequentadores. Marcela (Sabrina Rosa) e Maninha (Juliana Melo) são duas irmãs que sempre estão por ali também. Coração-de-Mãe (Sandro Mattos) é um policial amigo do grupo.

Entre os personagens, há um universo potente de diferenças. Tem aqueles politicamente mais identificado com a esquerda e outros mais com a direita e há quem pouco trata do tema. Em termos sociais, há quem é machista e quem apoia relações mais igualitárias entre homens e mulheres. O gosto pela música popular brasileira une todos em um só coro, mas, durante a peça, em vários momentos, eles discutem uma divisão entre si acerca dos seus lugares de origem. Quem é do alto do morro, do centro, de baixo, de fora e quem é de fora mas está morando lá são algumas divisões que aparecem.

Desse modo, a dramaturgia de Luiz Paulo Corrêa e Castro, melhor lida por uma atualização de um naturalismo a la Raul Pompeia ou a la Aloísio Azevedo, se organiza a partir, em primeiro lugar, de uma influência do meio na construção da identidade de cada personagem e, depois, da ratificação dessa pela oposição entre uns e outros. Em outras palavras, embora seja possível perceber uma curva dramática, não é ela o mais importante. Daí uma sensação de monotonia que faz a peça parecer muito maior do que é apesar de seus méritos.

Dentre as micronarrativas possíveis de serem evidenciadas, estão: a paixão de Animal por Berê, no que movimenta todo o grupo na organização de uma serenata a fim de conquistá-la, e o amor de Berê por Augusto; os problemas de Marcela com as mulheres do bairro por causa de seu comportamento com os homens e o conflito entre ela e Brasinha; as oposições políticas entre Zé Roberto e Coração-de-Mãe, e as diferenças de todo grupo em relação a Mário. Como episódios que aparecem, se resolvem e se sucedem, esses entrechos se articulam e fazem “Bataclã” atravessar o tempo. O problema se dá no interior de cada um.

Lá pelas tantas, quando o espectador percebe que não há um conflito principal, mas apenas uma articulação entre várias pequenas histórias, a macronarrativa cansa. Isso se dá porque não há perspectiva. Passados noventa minutos desde o início, a peça poderia durar mais quinze minutos bem como três horas. E isso é muito prejudicial ao trabalho como um todo, pois faz recair sobre os outros elementos além da dramaturgia um desafio difícil de transpor. Esse é, feitos os elogios, o único problema do texto de “Bataclã”.

“Bataclã”
A palavra bataclã, hoje em dia, se refere popularmente a um bordel (atualmente um centro cultural) de Ilhéus, na Bahia, aberto em 1864, onde vários acontecimentos importantes da obra do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001) acontecem. Destaca-se o romance “Gabriela, cravo e canela”, de 1958, que foi tornada telenovela pela Rede Globo em 1975 e que ganhou nova versão em 2012.

Na história do teatro carioca, vale lembrar da importância do jornal “Ba-Ta-Clan”, uma revista satírica com relatos sociais, de celebridades e com críticas teatrais (e políticas) célebre por dar relevância ao que acontecia principalmente entre o público (essencialmente masculino) e as atrizes do Teatro Alcazar Lyrique. Esse café-concerto, que funcionou entre 1859 e 1880, ficava na atual Rua Uruguaiana e era endereço certo de produções sobretudo francesas de teatro de revista (vaudevilles) que passeavam por aqui ou que da França inspiravam montagens brasileiras com a mesma estética. A publicação, dirigida por Charles Berry, foi veiculada entre 1867 e 1871 e seu título se referia à opereta homônima, de 1855, de Jacques Offenbach (1819-1880), e ao teatro onde ela estreou, esse que foi aberto em Paris, em 1865 e que está em funcionamento lá até hoje.

A companhia do Teatro Ba-ta-clan, dirigida por Madame Benedicte Rasimi (1874-1954), apresentou vários de seus espetáculos no Brasil entre 1922 e 1923 e durante 1926 no Theatro Lyrico (onde hoje está a Estação Carioca do Metrô). Eles fizeram tanto sucesso por aqui e sua passagem é considerada marco redefinidor do gênero teatro de revista no país.

Belas vozes femininas
A direção de Fernando Mello da Costa nem valoriza os méritos da dramaturgia, nem resolve seus problemas. Em cena, o grupo de intérpretes dribla os entraves da descrição do tempo, apresentando, de um modo geral, uma encenação toda virada para frente, o que não realça o naturalismo do texto. Em resumo, os diálogos são defendidos e há boas construções, mas “Bataclã” não revela qualquer complexidade que desperte para uma reflexão mais profunda. É só exposição que serve de desculpa para belas canções originais e do repertório popular brasileiro.

Há bons trabalhos de interpretação. Sabrina Rosa (Marcela), Luís Delfino (César) e principalmente Melissa Arievo (Berê) se destacam positivamente no conjunto pelo modo como mantêm as cenas vivas e interessantes. Eles fazem ótimo uso do corpo e da voz, aproveitando bem as oportunidades que a dramaturgia reserva aos seus personagens. A parte feminina do elenco apresenta excelente trabalho na interpretação das canções, elevando positivamente a qualidade do espetáculo em termos estéticos. São afinadas, têm voz forte e dicção clara e empenham graça e beleza na viabilização dos números musicais. A direção musical e a trilha sonora original são assinadas por José Luiz Rinaldi.

Quanto aos demais elementos, pode-se dizer que há boas colaborações isoladas, mas sem nenhum momento relevante sobretudo se se pensar no todo. Os figurinos de Kika de Medina apresentam matriz realista, indo em linha diversa à cenografia de Fernando Mello da Costa, essa toda composta por engradados de cerveja empilhados. A luz de Renato Machado se esforça em criar quadros imagéticos mais bonitos, mas sem muito sucesso talvez devido à confusão da conversa entre guarda-roupa e ambientação.

Celebração da memória do Morro do Vidigal
O maior mérito de “Bataclã” é o esforço da montagem de preservar parte da memória do Morro do Vidigal. Na divulgação, consta que a peça se baseia em um lugar que realmente existiu na comunidade e que, para muita gente, tem importância afetiva. Quem não conhece e valoriza sua história talvez não seja tão digno do presente e muito menos do futuro. Por isso, eis aí um bom motivo para aplaudir mais esse espetáculo do Grupo Nós do Morro. 

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FICHA TÉCNICA

Texto: Luiz Paulo Corrêa e Castro

Direção: Fernando Mello da Costa


Elenco/Personagem:

Eduardo Bastos: Mário Mamãe

Hélio Rodrigues: Rocha

Hugo Alves: Brasinha

Juliana Melo: Maninha

Lorena Baesso: Maria Vohic

Luís Delfino: César

Melissa Arievo: Berê

Marcello Melo: Augusto

Renan Monteiro: Zé Roberto

Sabrina Rosa: Marcela

Sandro Mattos: Coração-de-mãe

Wendel Barros: Animal

Direção Musical e Trilha Sonora: José Luiz Rinaldi

Figurinos: Kika de Medina

Cenografia: Fernando Mello da Costa

Designer de luz: Renato Machado

Direção de Movimento: Marcia Rubim

Preparação Corporal: Vanessa Garcia

Técnica Vocal: Leila Mendes

Instrutora de canto: Gabriela Geluda

Operação de luz: Lívia Ataíde

Costureira: Cláudia Ramos

Produção Executiva: Tatiana Delfina

Direção de Produção: Dani Carvalho