Mostrando postagens com marcador Foi você quem pediu para eu contar minha história (RJ). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Foi você quem pediu para eu contar minha história (RJ). Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Foi você quem pediu para eu contar minha história (RJ)

Foto: divulgação

Fernanda Vasconcellos, Karla Tenório, Talita Castro e Bianca Castanho


Karla Tenório se destaca em espetáculo interessante de Guilherme Piva

A peça “Foi você quem pediu para eu contar minha história” (“Neuf Petites Filles (push & pull)” no original) fica ainda melhor quando o espectador compreende que ela é sobre a habilidade humana de criar histórias e de abrigar-se nelas. Em cena, quatro meninas inventam narrativas, criam relações entre si e vivenciam coletivamente a imaginação, dando asas para situações que bem poderiam ser reais. Escrito pela francesa Sandrine Roche a partir de uma oficina de teatro para crianças, o texto foi finalizado em 2011 e, desde então, tem recebido algumas montagens ao redor do mundo. Dirigida com sensibilidade por Guilherme Piva, essa montagem é inédita e tem o mérito de assegurar o prazer do jogo na apresentação da narrativa. Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Talita Castro e principalmente Karla Tenório estão no elenco em trabalhos elogiáveis. O espetáculo está em cartaz até o fim de julho na Sala Fernanda Montenegro do Teatro Leblon.

Adaptado por Thereza Falcão, o texto de “Foi você quem pediu para eu contar minha história” é resultado de laboratório criativo com jovens e crianças no GEIQ théâtre (Groupement d’Employeurs pour l’Insertion et la Qualification), em Lyon, no oeste da França. Foi vencedor da Jornada de Lyon de Autores Teatrais 2011 e publicado pela Éditions Théâtrales um ano depois. A tradução de Alan Castelo também gerou o curta-metragem “Climax” realizado com o grupo musical “Damas de Ferro”. Na peça, as atrizes dão vida a quatro meninas que brincam de inventar histórias, revelando medos, memórias, sonhos e valores, esses construídos a partir de suas realidades familiares. Em questão, a feminilidade, a misoginia, o status social e seus corpos de mulher em desenvolvimento. Na dramaturgia, a evolução dos jogos faz do caos inicial uma proposta interessante. Aos poucos, o público percebe como os personagens e as situações se repetem e o que isso pode querer dizer no modo como elas se apresentam.

A ótima direção de Guilherme Piva permite às personagens se apresentarem a partir das relações que estabelecem entre elas mais do que pelas características particulares de cada uma. O efeito deixa pensar que as meninas interpretadas pelas atrizes ainda estão com sua personalidade em plena formação. Por um lado, isso chama a atenção pela abordagem da infância e, por outro, por tematizar a habilidade do ser humano em construir histórias onde seja possível viver (quando a realidade não interessa). Todos os trabalhos de interpretação de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Talita Castro são qualificados em termos de corpo, voz e movimentos, mas há destaque par ao trabalho de Karla Tenório pelo modo como ela as oportunidades se tornaram mais ricas em sua performance. Nela, o jogo de variação das emoções é mais visível e, ao lado das demais atrizes do elenco, reforça os méritos da produção como um todo.

A luz de Renato Machado destaca a cena em um lugar entre o público e o fundo infinito, reforçando a concepção de narrativa que emerge através da criatividade. Formado basicamente por um balanço e por uma gaiola trepa-trepa, brinquedos comuns em um pracinha, o cenário de Paula Santa Rosa e de Rafael Pieri providencia à encenação vários níveis, profundidades e movimento. O figurino de Carol Lobato auxilia para a visão inicial das personagens como iguais a fim de se possa identificar, ao longo da narrativa, suas diferenças. Marcelo Alonso Neves colabora, através da trilha sonora, com a viabilização cênica da concepção do diretor.

Talvez o mais interessante de “Foi você quem pediu para eu contar minha história” seja um convite que a peça faz de encontrar a infância não como um momento que antecede a vida adulta, mas como um lugar em que há menos barreiras para criar e para viver o que se cria. Nesse caso, ela pode acontecer em qualquer fase da vida e, relativamente distante da doçura que comumente a ela se atribui, isso pode ser terrível. Vale a pena assistir!

*

FICHA TÉCNICA
Texto – Sandrine Roche
Adaptação – Thereza Falcão
Direção – Guilherme Piva
Elenco – Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro
Cenário – Paula Santa Rosa e Rafael Pieri
Figurino – Carol Lobato
Projeto de luz – Renato Machado
Trilha sonora – Marcelo Alonso Neves
Fotografia – Rodrigo Lopes
Assessoria de Imprensa – Daniella Cavalcanti
Mídia Digital – Chermont BR
Maquiagem (fotos) – Edilson Ferreira
Programação visual – Jaqueline Sampin
Vídeo Promocional – Videobooks Brasil
Operador de som – Gabriel Lessa
Operador de luz – Hélio Malvino
Assistente de direção – Lucas Massano
Assistente Assessoria de Imprensa – Fernanda Miranda
Cenotécnico – Attom Motta
Equipe de cenotécnica: Luciano Lucas, Carlos Dimas, Jorge Paé, Anderson Henrique e José Navarro
Captação lei Rouanet – Andreia Paiva
Coordenação administrativa leis – Antonio Camões Direção de palco – Cedeli Martinusso
Produção executiva – Luis Fernando Bruno e Lucas Massano
Elaboraçāo - Mariana Nogueira
Direção de produção – Beta Leporage
Produtoras associadas – Paolla Oliveira, Mariana Nogueira e Beta Leporage
Patrocínio – Brasilcap
Realização – PAOLLA OLIVEIRA PRODUÇÕES, BTARTES e VOLEIO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS