quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nordestinos (RJ)

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Foto: Janderson Pires

Erlene Melo, Alexandre Lino, Rose Germano e Paulo Roque

Motivos para o Brasil se orgulhar

“Nordestinos”, nova produção de Alexandre Lino, tem o mérito de, através de uma temática regionalista, tratar da necessidade do homem de criar e de manter laços. A peça parte de uma coletânea de depoimentos reais de imigrantes da região Nordeste do país que vieram para o Rio de Janeiro e para São Paulo estabelecer nova residência. Com roteiro de Walter Daguerre e direção de Tuca Andrada, o espetáculo traz, no elenco, boas participações da paraibana Rose Germano, do cearense Paulo Roque e dos pernambucanos Erlene Melo e Alexandre Lino. Está em cartaz no Teatro do Sesi até 28 de novembro. Vale a pena ver.

Laços que identificam o homem
A região Nordeste do Brasil é composta por nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Ela se divide em quatro sub-regiões: Meio-norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata. De cultura vasta, índices econômicos e de desenvolvimento muito variados, características ambientais, sociais e antropológicas diversas, essa parte do país é como o seu todo: riquíssima! Assim como se constituíram seus limites político-geográficos, é muito difícil determinar traços que sejam comuns na cultura do seu povo.

Sobre o espetáculo em questão, vale dizer antes de tudo que o título “Nordestinos” nomeia não a terra, mas quem nasce nela. Mais especificamente talvez, diz respeito ao conjunto de laços invisíveis por meio do qual moradores do Rio e de São Paulo, que nasceram no Nordeste, se reconheçam entre si. Mas os méritos da montagem vão para além da celebração dos traços regionalistas. Ainda que coberta deles, é possível notar que, lá pelas tantas, a peça os abandona lindamente. E adota, em substituição, outro intento: o de unir aqueles que um dia partiram de seu lugar de origem em busca de novos horizontes.

Com exceção de militares e de aventureiros, até entre os séculos XVI e XVII, as sociedades eram compostas por pessoas que nasciam e morriam no mesmo lugar. O advento das cidades e todas as modificações em torno dessa nova realidade impuseram um desafio: velhos conhecidos passaram a conviver com desconhecidos (cuja história era contada por eles próprios). Mudaram-se as qualidades dos laços afetivos entre pessoas e delas com a terra, alteraram-se os comportamentos e a questão da identidade atingiu patamar de maior importância. Compreender essas questões talvez não seja necessário para fruir “Nordestinos” em sua contribuição mais superficial, mas é sem dúvida importante para sentir o espetáculo mais profundamente.

O texto da peça surgiu de relatos verdadeiros de nordestinos. A coletânea de histórias está publicada pela editora Giostri e, além de inspirar o roteiro de Walter Daguerre para a peça, há de ser ponto de partida para o documentário cinematográfico a ser realizado a partir do espetáculo. Escritos em primeira pessoa, não assinados, os depoimentos falam do Nordeste, mas principalmente de quem fala sobre aquela região. A paisagem, afinal de contas, tem muito do olho de quem a vê. A lembrança mais ainda.

Narrativa cênica evolui graciosamente
Dirigido por Tuca Andrada, o espetáculo conserva essas marcas da dramaturgia na medida em que os personagens não se definem apenas no campo da ficção, mas lançam outras pistas. Alexandre Lino, Erlene Melo, Paulo Roque e Rose Germano, manipulando bonecos, interpretando outras figuras e permitindo pensar que narram suas histórias pessoais, atuam nesse sentido. A narrativa, assim, estabelece códigos, mas não hesita em se desfazer deles e propor novos, criando outras relações, jogos em que intérpretes e público avançam pelo imaginário do texto.

Os trabalhos de interpretação, de uma concepção mais tradicional até uma versão mais rapsódica, apresentam ótimo resultado, defendendo com carisma a proposta do espetáculo. Com poucos elementos, mas uso rico principalmente da iluminação de Renato Machado e qualificado aproveitamento da trilha sonora dirigida por Alexandre Elias, o ritmo corre fluidamente. O figurino e o cenário são de Karlla de Lucca. Neles estão expressos alguns elementos referenciais do que se toma por cultura nordestina.

Castigada pelo sol, pela falta de chuva, pelo abandono da administração pública de um modo geral, a região Nordeste sofre de mazelas históricas que há muito deixaram de ser compreensíveis. Seu povo, porém, dono de algumas narrativas como a que “Nordestinos” oferece, há de encontrar nesse espetáculo motivo para se orgulhar. Qualquer que seja o homem que, um dia, partiu de sua casa se encontra ali. Aplausos!

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Ficha Técnica
Direção: Tuca Andrada
Dramaturgia: Walter Daguerre
Argumento e Idealização: Alexandre Lino
Elenco: Alexandre Lino, Erlene Melo, Paulo Roque e Rose Germano / Stan-in:
Natália Régia
Direção Musical: Alexandre Elias
Iluminação: Renato Machado
Cenário e Figurinos: Karlla De Luca
Preparação corporal e Movimento: Paula Feitosa
Assistente de Direção e Dramaturgia: Fabrício Branco
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Design Gráfico: Guilherme Lopes Moura
Fotógrafo: Janderson Pires, Foto Janderson Pires
Revisora Textual: Yonara Costa
Assessoria Jurídica: André Siqueira
Produção Executiva: Daniel Porto
Direção de Produção: Alexandre Lino
Realização: Cineteatro Produções

Galápagos (RJ)

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Foto: divulgação

Kadun Garcia e Paulo Giannini


Eis um belo espetáculo!

Um dos espetáculos melhor avaliados de 2014, “Galápagos” fez curta temporada entre outubro e novembro de 2015 no Teatro Gláucio Gill em Copacabana. Com texto de Renata Mizrahi e direção de Isabel Cavalcanti, a peça narra o encontro entre Vander e Carlos, dois homens completamente diferentes interpretados por Kadu Garcia e por Paulo Giannini. Eles se encontram em um bar a bordo de um navio que os leva ao arquipélago equatoriano Galápagos. Com humor delicado e drama leve, a história revela um tipo de solidão em que é gostoso estar junto bem como uma companhia em que se é possível sentir-se só. Uma linda produção que merece mais atenção e temporadas mais longas.

Reflexões da dramaturgia contemporânea
O arquipélago Galápagos, paraíso ecológico a oeste do Equador, é formado por 58 ilhas habitadas por preciosíssima fauna, como as tartarugas gigantes que dão nome ao local. Capazes de viver até 150 anos e podendo chegar a 1,80m de comprimento e 300kg, elas atraem pesquisadores do mundo inteiro. Esse porém não é o caso nem de Vander, nem de Carlos, dois personagens a caminho de lá por motivos diferentes na história original escrita por Renata Mizrahi.

Vander é um funcionário de multinacional, pai de três filhos e insatisfeito com a própria companhia. Carlos é um artista plástico de fama internacional, menos solitário do que realmente gostaria de ser. A voz potente de uma cantora no microfone do bar do navio onde eles viajam atrai essas duas figuras para uma amizade que nasce aos barrancos e talvez não perdure, mas talvez sim.

Autora de inúmeras peças muito elogiadas, Renata Mizrahi desenvolveu a história idealizada pelos atores Paulo Giannini e Kadu Garcia. O modo como as cenas evoluem deixa ver algumas marcas da dramaturgia contemporânea. A narrativa evolui mais verticalmente na estrutura de cada quadro do que se espalha pelo todo da ficção fabular. Os diálogos têm menos marcas que os unem e mais expulsões que os separam. Só o que se sabe dos personagens é aquilo que eles revelam de si próprios de maneira que talvez ambos continuem sendo desconhecidos um para o outro. Não há qualquer coisa que os una, nenhum conflito, nenhum interesse, qualquer acordo a não ser o prazer que ambos sentem em ouvir a cantora cantar. Todos esses aspectos formais do texto são claramente sinais de conteúdo. Ao mesmo tempo em que enchem o espectador de dúvidas, eles conferem ao público a responsabilidade de investigar-se em busca de respostas existenciais. Trata-se de alta dramaturgia aqui.

Palco espelho para o público na encenação dirigida por Isabel Cavalcanti
A direção de Isabel Cavalcanti resolve com habilidade alguns desafios do texto na encenação. Uma vez que todos os encontros dos personagens Vander (Kadu Garcia) e Carlos (Paulo Giannini) acontecem em um show, ambos ficam boa parte das cenas completamente virados para o público. É bonito reparar o quanto, evitando a troca de olhares, eles fazem da falta de triangulação uma marca do olhar por sobre si. É como se eles estivessem buscando no outro uma resposta para si mesmos além do fato da plateia ter a oportunidade de vê-los talvez como os veria a cantora por eles admirada. Essa possibilidade traz nova reflexão.

Seria normal que estivesse o público sob a luz dos refletores e os personagens sob a escuridão uma vez que é da plateia que sai a voz - Simone Mazzer – capaz de atrair esses dois personagens da superfície às profundezas do navio. Em “Galápagos”, porém, a plateia (nós) observa a plateia (Vander e Carlos) de maneira que, nesse espetáculo, o palco vira espelho íntegro, questionador, potente.

Ótimos trabalhos de interpretação de Paulo Giannini e de Kadu Garcia
As ótimas interpretações de Paulo Giannini e de Kadu Garcia garantem também outros elogios a “Galápagos”. O espetáculo acontece em excelente ritmo, com articulações precisas dos quadros e disposto a potencializar as diferentes nuances que revelam sutil curva dramática ascendente. Em outras palavras, é fácil torcer para que a amizade entre Vander e Carlos perdure, traço que aponta para o brilhantismo da defesa tanto das figuras como da relação que nasce entre eles por parte de seus intérpretes e da direção.

Com destaque para a trilha sonora de Felipe Storino, a peça tem bons figurinos de Bruno Perlatto, cenário de Aurora dos Campos e iluminação de Renato Machado. A sutil mas essencial colaboração desses últimos elementos define positivamente a potencialidade de cada pequena participação. O repertório ouvido em cena, que é interpretado por Simone Mazzer, integra-se à dramaturgia como se ambos fossem um só (e talvez sejam).

Eis um belo espetáculo!

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FICHA TÉCNICA
Direção: Isabel Cavalcanti
Texto: Renata Mizrahi
Elenco: Paulo Giannini e Kadu Garcia
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Renato Machado
Figurino: Bruno Perlatto
Trilha Original: Felipe Storino
Design Gráfico: Roberta de Freitas
Fotografia: Dalton Valério e Débora Setenta
Assistente de direção: Renata Mizrahi
Assistente de Cenografia: Ana Machado
Consultoria de movimento para o personagem Carlos: Moira Braga
Produção Executiva: Thamires Trianon
Direção de Produção: Paulo Giannini e Kadu Garcia
Realização: Saravá Cacilda Projetos Culturais

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Beijo no Asfalto – O musical (RJ)

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Foto: divulgação

Thelmo Fernandes, Ricardo Souzedo, Claudio Lins, Jorge Maya e Claudio Tovar

Excelente nova versão do clássico de Nelson Rodrigues

“O Beijo no Asfalto – O musical” é uma das mais gratas surpresas de 2015 no teatro carioca. Dirigido com habilidade e inteligência por João Fonseca e com belas canções originais de Claudio Lins e outras atualizadas na direção musical de Délia Fischer, a peça dá novo ar ao clássico texto escrito por Nelson Rodrigues há 55 anos. Com um elenco inteiramente constituído por excelentes participações, o drama rodrigueano está todo lá em sua plenitude, mas se destaca o modo como essa nova abordagem o recontextualiza. Além do próprio Lins, Laila Garin, Gracindo Jr., Yasmin Gomlesvky, Claudio Tovar, Janaína Azevedo e Jorge Maya estão no elenco em atuações bastante elogiáveis dentre outras participações. Os figurinos de Tovar são outros ótimos destaques. O espetáculo, cuja primeira temporada no Teatro Sesc Ginástico terminou nesse domingo, reestreará no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, na próxima quinta-feira, dia 12 de novembro. Vale a pena ver!

Um clássico da dramaturgia brasileira volta em nova abordagem
“O beijo no asfalto” foi escrito por Nelson Rodrigues (1912-1980), em 1960, sob encomenda do Teatro dos Sete. O grupo, formado em 1959, tinha como integrantes o diretor Gianni Ratto e os atores Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sérgio Britto e Ítalo Rossi (além de Luciana Petrucelli e de Alfredo Souto de Almeida). O quinto espetáculo do grupo estreou em 7 de julho de 1961, menos de dois meses antes da renúncia do Presidente Jânio Quadros. Foi a 13ª peça de Nelson Rodrigues, vinda logo após “Boca de ouro”.

Dirigida por Fernando Torres, a primeira montagem tinha, no elenco, Oswaldo Loureiro e Francisco Cuoco (Arandir), Fernanda Montenegro (Selminha), Sérgio Britto (Amado Ribeiro), Ítalo Rossi (Delegado Cunha), Mário Lago e Labanca (Aprígio), Suely Franco e Maria Esmeralda (Dália), Renato Consorte e Claudio Corrêa e Castro (Aruba), Zilka Salaberry (Dona Matilde), entre outros. A peça estreou no Teatro Ginástico e depois foi para o Teatro Maison de France, cumprindo no total sete meses de temporadas no Rio de Janeiro. Nelson Rodrigues ganhou o Prêmio Artur Azevedo, da Academia Brasileira de Letras, de Melhor Autor Nacional do ano de 1961.

A peça teve ainda duas versões cinematográficas, a primeira, “O beijo”, em 1964, foi dirigida por Flávio Tambellini e e teve Reginaldo Faria e Jorge Dória nos papéis de Arandir e de Mário Ribeiro (Amado). Bruno Barreto dirigiu, em 1980, outra versão bem mais próxima do texto original, embora adaptada para os anos 70. Ney Latorraca, Tarcísio Meira, Christiane Torloni e Daniel Filho interpretaram Arandir, Aprígio, Selminha e Amado Ribeiro. Em breve, está para estrear, com a direção de Murilo Benício, o filme “O beijo, o processo” em que um grupo de atores ensaiam a peça de Nelson Rodrigues.

Uma pérola da dramaturgia brasileira e universal
O texto de “O beijo no asfalto” é uma tragicomédia. Isto é, foi escrito originalmente em um estilo através do qual tanto o que há de melhor como o de pior no ser humano se valem da tragédia e da comédia para serem expressos. São treze cenas, divididas em três atos em que o autor inaugura as falas cortadas e marcadas por um ponto final. (Exemplo: “Eu quero te dizer que.") Em termos de sua estrutura narrativa, a obra é muito próxima de “O idiota”, do russo Fiódor Dostoiévski. Nesse romance do realismo psicológico, há um ser cuja perfeição é tão absoluta que é capaz de refletir (ou de aumentar) toda a podridão daqueles que o cercam.

Arandir está casado com Selminha há um ano e, segundo ela, ele é um ótimo amante. Quando a peça começa, ele está indo ao banco para penhorar uma joia a fim de obter dinheiro para manter a esposa fisicamente em forma. No caminho, um acidente com um ônibus mata um transeunte que, nos segundos derradeiros, pede a Arandir um beijo na boca, o que ele concede. O fato é testemunhado pelas pessoas ao redor, entre elas, Aprígio, sogro de Arandir; e Amado Ribeiro, que escreve para um jornal sensacionalista. Dias antes, Ribeiro havia espinafrado Delegado Cunha, em sua coluna no jornal, dizendo que ele havia agredido uma mulher grávida, levando-a ao aborto. O caso d”O beijo no asfalto” interessa a Amado e Cunha porque pode atribuir a eles a marca de defensores da moral e dos bons costumes. Onde já se viu, afinal de contas, um homem beijar outro, na rua, durante o dia, na frente de pessoas de bem? (sic)

Ao longo da peça, o texto revela várias questões pertinentes à reflexão do comportamento social. As relações familiares (incesto), profissionais (fofoca entre colegas, conchavos) e políticas (a imprensa e o poder público) são iscas para se tratar da fragilidade humana. Discutida a partir das reflexões dos filósofos da Escola de Frankfurt e de seus pares, a capacidade da imprensa de criar um fato e não apenas divulgá-lo é outro assunto discutido em “O beijo no asfalto”. Eis uma pérola da dramaturgia brasileira e universal que ganha excelente lugar na sociedade hoje por tratar, principalmente, da questão do preconceito em relação à orientação sexual.

Atuações ímpares
Claudio Lins e João Fonseca, através das canções inseridas na narrativa original, reforçam as tintas do melodrama que tão bem valoriza o desenrolar da trama. Os números musicais, quase todos solilóquios cantados pelos personagens, ficam com o encargo do elemento tragicômico. O público, que assiste a um só tempo peça e música, se envolve fluidamente com as cenas, mergulhando no pesadelo rodrigueano em cujo fundo poderá se encontrar com Arandir (e resgatá-lo de lá). Aos poucos, o ritmo mais lento que o do original vai envolvendo tal qual a versão primeira, provando que não há jeito certo nem errado de fazer teatro, mas meios mais e menos qualificados de se adaptar um texto. Lins e Fonseca, com enorme coragem, ousam participar com Nelson Rodrigues da autoria da peça, mas se saem muito bem. Quem ganha é o público!

Laila Garin

Todos os trabalhos de interpretação são bastante bons, mas é possível identificar alguns destaques. Os mais visíveis se referem às participações de Claudio Tovar e de Janaína Azevedo, interpretando o Delegado Cunha e a vizinha Dona Matilde. É fácil perceber o quanto esses dois excelentes atores alçam seus personagens pequenos a lugares definitivos através da sutileza de cada expressão, do ótimo aproveitamento de cada respiro, da mais sutil nuança. Thelmo Fernandes (Amado Ribeiro), que repete o mesmo papel já visto em “A arte da comédia” e em “S’imbora”, está em lugar bastante confortável. Yasmin Gomlevsky igualmente repete seu papel em “Anti-Nelson Rodrigues”. Jorge Maya (Aruba), Pablo Áscoli (O Morto), Juliane Bodini (A Viúva), Gabriel Stauffer (Werneck), Ricardo Souzedo (Barros e Pimentel) e Juliana Marins (Dona Judith) fazem boas participações dentro dos limites possíveis positivamente. São vibrantes as atuações de Laila Garin (Selminha), Gracindo Jr. (Aprígio) e de Claudio Lins (Arandir). Partes da estrutura mais fundamental da peça, por onde bailam os demais personagens e a própria história, suas interpretações mantêm a tensão latente, o drama preservado e a crítica mais inteligente. Com talento, habilidade, carisma e enorme beleza, esses trabalhos são ímpares!

As lindas vozes de Janaína Azevedo e de Laila Garin
O cenário de Nello Marrese é uma variação do que já foi visto em “Doroteia” (ao invés de transparências, aqui há telas de alumínio onde folhas de jornais são penduradas) com cadeiras Gruvyer pretas . O único momento relevante dessa opção é quando as placas vão para o centro do palco, apertando o espaço cênico. Em contrapartida, o figurino de Claudio Tovar é excelente. Ricamente explorado e expresso em detalhes bem afinados, ele finca o espetáculo no gênero musical. A iluminação de Luis Paulo Nenén, atuando sem a ajuda do cenário, colabora com a evolução da narrativa. As canções de Claudio Lins e a direção de Delia Fischer tem excelentes momentos em “Não foi o primeiro beijo”, “Faz tempo...”, “Ainda aqui/Quem sabe de si”, “Toda noite” e em “A noite do meu bem”. As belíssimas vozes, principalmente de Janaína Azevedo e de Laila Garin ecoam plateia afora para além do fim do espetáculo lindamente.

“O Beijo no Asfalto – O musical” mantém todos os valores do texto de Nelson Rodrigues e acrescenta outro mais. É um dos melhores espetáculos de 2015. Aplausos!

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Ficha técnica:
Direção Geral : JOÃO FONSECA
Trilha Original : CLAUDIO LINS
Direção Musical : DÉLIA FISCHER
Figurinos : CLAUDIO TOVAR
Cenário : NELLO MARRESE
Iluminação : LUIS PAULO NENÉN
Direção de Movimento: SUELI GUERRA

ELENCO:
Arandir – CLAUDIO LINS
Selminha – LAILA GARIN
Dália – YASMIN GOMLEVSKY
Amado Ribeiro – THELMO FERNANDES
Cunha – CLAUDIO TOVAR
Aruba – JORGE MAYA
D. Mathilde – JANAÏNA AZEVEDO
Werneck – GABRIEL STAUFFER
Morto – PABLO ÁSCOLI
Pimentel – RICARDO SOUZEDO
Viúva – JULIANE BODINI
D. Judith – JULIANA MARINS
Ator convidado : GRACINDO JR. como Aprígio

Engenheiro de Som: CARLOS ESTEVES
Assistente de direção: LUCAS MASSANO
Assistente de Figurino: THIAGO DETOFOL
Assistente de Cenografia: LORENA LIMA
Programações Eletrônicas e Orquestrações : HEBERTH SOUZA
Pianista Regente e Assistente Direção Musical : EVELYNE GARCIA
Arranjos Vocais: AUGUSTO ORDINE
Preparação Vocal: JANAÍNA AZEVEDO
Assessoria de Imprensa : HORÁCIO BRANDÃO e ALEX DAYRELL – Midiorama Marketing/ apoios: GHEU TIBÉRIO
Produção Executiva : ANA BEATRIZ FIGUERAS
Produtora assistente: TAIANA STORQUE
Direção de Produção : ISABEL THEMUDO
IDEALIZAÇÃO : CLAUDIO LINS