terça-feira, 16 de abril de 2013

O Lobo sem Chapéu (RJ)

Rogério Barros em excelente
trabalho de interpretação
Foto: divulgação

Marta Paret e Rogério Barros "tirando leite de pedra"

Há mais graça que poesia em “O Lobo sem Chapéu”, espetáculo produzido por Marta Paret em cartaz no Teatro Sesc Arena Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Voltado para crianças, a peça tem o interessante resultado de não resgatar nos adultos as crianças que ainda vivem dentro deles, mas parece esperar que os adultos gostem da peça (tanto quanto as crianças) mantendo-se como tais, mas por motivos diferentes. Talvez com o desejo de explorar vários níveis de fruição, o texto de Denise Crispun é complicado, porque sem definições. No mesmo sentido, a direção de Beto Brown não é bem articulada, deixando opções sem justificativas claras. As bases estéticas sem consistência importantizam a função dos atores nesse trabalho. Com Paret e Rogério Barros em boas interpretações, o espetáculo tem, ao final, bom resultado também no uso dos figurinos e da iluminação. Barros está excelente! 

Nessa montagem, “sobra” para os atores a árdua tarefa de “tirar leite de pedra”, isto é, “fazer tripas coração” a fim de tornar o texto interessante, traduzindo com um pouco de lógica possível a direção cambaleante. Marta Paret e Rogério Barros, dupla que já mostrou excelente trabalho em “Navalha na Carne”, carregam nas cores de suas construções para dar vida aos personagens que interpretam e às situações em que esses se envolvem. Mesmo assim, reconhecido esse esforço, sai-se sem a certeza sobre o que de que se trata a peça. A protagonista é uma atriz em busca do papel de “Chapeuzinho Vermelho” num espetáculo de teatro ficcional? Ou é a célebre personagem do conto de Charles Perrault, então enfastiada de sempre repetir a velha história a ponto de, um dia, resolver desaparecer, deixando sua mãe aflita e sua avó sem doces? Em ambos os casos, o Lobo, citado no título, não é o protagonista. 

Ainda sobre a dramaturgia, no palco, vemos os personagens tradicionais (Chapeuzinho, Vovó, Mamãe, Lobo e Caçador) ao lado de novas figuras (Jovem Atriz, Detetive e Diretor de Teatro) agindo no mesmo local, em situações concomitantes, mas não facilmente claras para a fruição. Por Paret e sobretudo por Barros, esse mais ágil, com mais movimentos minuciosos e mais marcas diferentes que dão a ver seus personagens diversos, a peça agrada e envolve positivamente ao final, porque tem balanço, tem cor, tem vida e, sobretudo, pouco tempo de duração. O fato de cruzar um desafio tão grande torna os méritos de “O Lobo sem Chapéu”, enquanto produção artística, ainda maiores: faça-se saber. 

São potentes em seus usos simples o desenho de iluminação de Djalma Amaral e de figurino de Teca Fichinski. O cenário, também de Fichinski, que desenha no palco a la “Dogville (o filme de Lars von Trier, para citar um referencial mais conhecido do grande público) os diversos ambientes onde a ação se passa, é rico no sentido de permitir o ritmo veloz exigido pelas concepções necessariamente histriônicas de interpretação. A trilha sonora de Marcelo Alonso Neves é sem destaque, embora marque positivamente a evolução da narrativa. 

A direção de Beto Brown deixa ver sua fragilidade na incoerência de suas opções. Se de um lado temos cadeiras e cestas de palha, além de figurinos bastante referenciais, de outro temos garrafinhas d`água (?) e bloco de anotações que fazem as vezes de telefone quando uma ligação é recebida ou realizada. Num terceiro lado ainda, há o cigarro e a bebida de um dos personagens que aparece em forma de mímica, ficando invisível concretamente na encenação. Sem fortalecer o metateatro ou tampouco o teatro em si, Brown não terá aqui um dos melhores trabalhos. 

*

FICHA TÉCNICA
Texto: Denise Crispun
Direção Beto Brown
Elenco: Marta Paret e Rogerio Barros.
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Direção de movimento: Joice Niskier
Cenário e figurino: Teca Fichinski
Iluminação: Djalma Amaral
Direção de produção: Marcelo Cabanas e Camila Martins
Produção executiva: André Rocha
Assessoria de imprensa: Jongo
Produção e realização: Marta Paret

domingo, 14 de abril de 2013

Caixa de Areia (RJ)

Júlia Marini e Flávio Graff brilham em última parte
da Trilogia Pessoal de Jô Bilac
Foto: divulgação

Pensar a vida ao invés de simplesmente vivê-la: Jô Bilac ganha mais uma vez

“Caixa de Areia” (2013) é a última parte da Trilogia Pessoal, escrita por Jô Bilac, antecedida por “Savana Glacial” (2009) e por “Popcorn” (2011). Se, na primeira, estava em cena o criador, na segunda, a questão era a criação. Agora, quem figura no centro da narrativa é a crítica. Mais uma vez, Bilac oferece excelentes diálogos e uma construção dramatúrgica não linear que, para quem está acostumado com narrativas mais contemporâneas, tem, em sua forma, muito mais a dizer do que propriamente no conteúdo. O jogo de palavras no diálogo, a sua organização fala após fala, com pontos de virada específicos traduzem em conjunto o ponto de vista do autor sobre os personagens: eles não estão ali por acaso, simplesmente contando uma “historinha”, mas têm funções bem definidas e com vários níveis e possibilidades de fruição. Como nas duas peças já citadas, “Caixa de Areia”, dirigida por Sandro Pamponet e pelo próprio Bilac, só faz sentido enquanto todo, adiando para o fim o seu sentido mais pleno. A crítica de arte Ana precisa encontrar na sua vida exatamente o que precisa procurar nas peças a que assiste como parte seu trabalho: algo concreto que dê lógica para o todo e seja suporte para a análise e, consequentemente, a avaliação. Sem isso, sem esse ponto firme no qual o crítico de arte precisa se agarrar, tudo nas obras parece “solto no ar”, etéreo demais e, por isso, impossível de compreensão (e, consequentemente, de tradução num texto analítico que deverá servir aos leitores de críticas). Em cartaz no Teatro do Sesi, no centro do Rio de Janeiro, há aqui uma peça de teatro que sustenta nos diálogos fortes a atenção da plateia mais disposta a pensar do que simplesmente reagir de forma emocional. Com produção de Mariana Serrão, eis um espetáculo que está longe de ser mero entretenimento. 

Mais de vinte anos depois da separação do marido, Ana reencontra o ex pela primeira vez. Ao contrário do que ela pensou (ou planejou) que seria, ele morrera antes dela e esse reencontro se dá no velório dele, com o seu corpo deitado imóvel no caixão. “Caixa de Areia” começa quando Ana volta a casa onde morou com seus pais e seus irmãos na infância e onde também morou com esse ex-marido agora morto. O fim do casamento foi precedido por um acontecimento trágico: o filho do casal, ainda um garoto, morrera, deixando a mãe repleta de culpa pelo acontecido e o marido desolado pela perda. Estranhamente, no dia do enterro do menino, o casal, ele um jornalista e ela uma crítica de arte, foi assistir a um espetáculo de teatro. Naquela noite, Ana escreveu a análise dessa peça, mantendo o seu profissionalismo apesar do momento de dor que a situação lhe impunha. Agora, décadas depois, com o ex-marido enterrado, ela retorna ao lugar onde tudo isso aconteceu, sentindo imensa necessidade de reler essa crítica, uma espécie de “pedra filosofal” que possa dar sentido para a sua existência. Ana acredita que essa análise distante possa ser um símbolo concreto do quanto ela conseguiu e consegue se distanciar dos acontecimentos que se passam diante de si. Ela não amara a mãe como gostaria, não amara o filho como gostaria, não amara o marido como gostaria. Entender racionalmente todos esses porquês, talvez, lhe ajude a observar de forma mais integral o passado mal resolvido, sendo esse, quem sabe, o ponto de vista essencial para poder planejar o resto de futuro que lhe resta. Daí que reencontrar esse texto é o motivo que lhe leva de volta a esse lugar, a esse passado.

Como em “Savana Glacial” e como em “Popcorn”, os acontecimentos na dramaturgia de Jô Bilac não se dão de forma linear, mas misturados, sem lógica aparente e, por isso, têm a possibilidade de representar o real além da narrativa com mais força. Embora haja quem sinta (ou saiba) que os fatos da vida não são por mero acaso, mas fazem parte de uma lógica invisível, o senso comum busca nas histórias a que assiste a relação de “causa e consequência” que, talvez, nem exista fora da ficção tradicional. A complexidade da narrativa de Bilac, cuja bisavó brasileira são os três planos de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, é uma característica formal presente em todos as obras dessa trilogia. Aqui, de forma mais sensível que nas demais, a opção fortifica um mote que, provavelmente de outro jeito, seria superficial demais e bastante difícil de ser tratado com mérito. Eis, então, o ponto crucial do grande valor que esse espetáculo tem: discorrer com profundidade e com extrema elegância um argumento difícil e bastante longe de ser banal. 

Júlia Marini, que interpreta Ana quando jovem (e casada), nunca ofereceu um trabalho com tanta força, sensibilidade e potência (nas outras vezes em que a assisti) como aqui. Pela primeira vez com excelente uso da carga emocional, ela dosa a energia da personagem, passando da neutralidade à convulsão sem pular nenhum degrau nessa linha ascendente de expressão. Sua presença é sólida e forte, sendo, de fato, o pilar central tanto dessa dramaturgia de Bilac como dessa encenação de Bilac e de Pamponet. Taís Araújo, que interpretada a mãe; e Cris Larin, que dá vida à Ana no presente, estão excelentes também na viabilização de seus personagens. A riqueza de suas construções está em uma visível sobriedade  exterior quando, por dentro, seus sentimentos sucumbem à ruína. Enquanto a Mãe (Araújo) convive com uma filha que a chama de imbecil e com um marido que a abandona em meio a antigos valores que parecem já não fazer sentido, Ana segue sendo a crítica de arte que se esforça em parecer inatingível e imparcial diante de um espetáculo cheio de dor da qual ela mesma faz parte. Em personagens secundários, Luis Henrique Nogueira (o Pai) e Jaderson Fialho (o Marido) aproveitam os poucos momentos que têm para mostrar excelentes trabalhos e, dadas as devidas proporções, atuam no mesmo nível que suas colegas. Nesse sentido, a direção de Bilac e de Pamponet oferece um trabalho de elenco coeso e consequentemente forte que é responsável pela estrutura firme, porque bem articulada, possibilitada também pela direção de movimento de Viétia Zangrandi. 

A cenografia de Flávio Graff é um espetáculo visual à parte. Com mérito dos pequenos detalhes ao todo, o trabalho é um dos mais interessantes já vistos nos palcos do Rio de Janeiro no último ano. Ao mesmo tempo em que faz crescer vegetação em um lugar aparentemente já morto, deixa ver a aridez (árido e areia são palavras com mesma origem etimológica) de jornais antigos, guardados ao invés de ter sido reutilizados para enrolar “peixe”. Em um lugar em que escrivaninhas e cadeiras ganham do chão às alturas, e gavetas e armários se acumulam, o passado e o passado do passado se encontram no presente e podem sufocar a coragem de quem ousa, anos depois, voltar a eles. 

Graff encontra bom eco nos figurinos de Patrícia Muniz e na iluminação de Adriana Ortiz. O quadro, ainda formado pela direção e produção musical de Samantha Rennó (com composições musicais de Rennó, Cris Vergara e de Luiza Brina), é articulado com excelência estética em termos de forma e de conteúdo, esse mérito do mestre Beto Carramanhos, sem dúvida, um expoente no seu ofício de visagista. 

“Caixa de Areia” não é um espetáculo que espera um público disposto a rir, se alienar e a engordar sua carga de divertimento semanal com um programa cultural de junk art. Suas cortinas se abrem para quem quer desfrutar arte de alta qualidade e oferece, em retorno, além de belos trabalhos estéticos, conteúdo sólido para pensar a vida em relação contrária a simplesmente vivê-la. Jô Bilac ganha mais uma vez. 

*

FICHA TÉCNICA
De: Jô Bilac
Direção: Jô Bilac e Sandro Pamponet

Elenco: Taís Araújo, Luiz Henrique Nogueira, Cris Larin, Jaderson Fialho e Júlia Marini

Cenografia: Flavio Graff
Iluminação: Adriana Ortiz
Figurino: Patricia Muniz
Direção de Movimento: Viétia Zangrandi
Preparação Vocal: Verônica Machado
Direção de Produção: Miçairi Guimarães e Zulma Mercadante
Direção e Produção Musical: Samantha Rennó
Composição e Arranjos: Samantha Rennó, Cris Vergara, Luiza Brina
Participações Especiais : Márcio Bahia, Felipe Prazeres, Daniela Rennó, Demosthenes Junior
Técnico de Gravação: Pedro Veloso
Técnico de Mixagem e Masterização: Marcelo Frisieiro
Programação Visual: Leticia Andrade
Fotografia: Paula Kossatz
Vídeos: Johnny Luz
Assessoria de Imprensa: Will Comunicação e Luiz Menna Barreto
Visagismo: Beto Carramanhos
Assistente de Cenário: Clarice Bueno
Cenotecnia: Humberto Silva
Assistente de Figurino: Patricia Delvaux
Máscaras: Léobruno Gama
Modelista: Socorro
Alfaiataria: Fátima Léo
Operador de Luz/Assistente de Iluminação: Aramís David Correia
Operador de Som: Romiro Vasques; Kelson Santos e Jorge Madeira
Camareiro: Kaka Silva
Administração: Foco Arte Produtora
Produção Executiva: Mariana Serrão
Assistente de Produção e Contraregragem: Marcel Formiga
Realização: Taís Araújo, Zulma Mercadante e Cena 27 Produções

sábado, 13 de abril de 2013

Canastrões (RJ)

Pedro, Paulo e Gabriel Gracindo em excelente espetáculo
Foto: divulgação

Uma obra de arte!

Como é bom ver bom teatro! “Canastrões” é uma grata surpresa. Em cartaz no Teatro dos Quatro, do Shopping da Gávea, eis aí uma produção que merece ser vista por vários motivos. Para mim, o principal deles é o que ela oferece enquanto retórica sobre o próprio tema e o como isso acontece totalmente interligado com os demais elementos em perfeita sintonia. Harmônico nos seus pontos de vista estéticos, profundo enquanto retórica, desafiador enquanto produção e extremamente valoroso na sua realização, o espetáculo tem ritmo, tem profundidade, tem beleza. Assistir-lhe é pensar o teatro de ponta a ponta: sua história, sua presença no Brasil, sua linguagem como acontecimento único diante do público e os aspectos práticos referentes à sua realização e os políticos em termos de sua relação com a grade de produções em cartaz no mesmo teatro, no mesmo bairro, na mesma cidade, sem comparações insólitas, mas com pensamento voltado sobre a riqueza dessa diversidade. Com direção e encenação do espanhol Moncho Rodriguez, em cena estão Paulo Grancindo Junior e seus dois filhos, Gabriel Gracindo e Pedro Gracindo. Em todos os momentos, sente-se também a participação do grande ator Paulo Gracindo (1911-1995) que, em 2011, teria completado 100 anos. O aplauso final é uma homenagem sobretudo a ele.

A peça “Canastrões” parte esteticamente da farsa tradicional: a farsa de rua, os atores mambembes, indo de cidade em cidade, pedindo passagem e apresentando histórias já anteriormente escritas ou recentemente inventadas, cujos personagens fazem referências com conhecidos do público, sustentando a tradição dos personagens célebres: os enamorados, o arlecchinho, o comilão, o puncchinello, o dottore, entre outros. Os joelhos curvados, o quadril encaixado, o eixo verticalizado sobre si mesmo e as estreitas relações com os animais que motivaram a construção e a ratificação dessas figuras (a cobra, a galinha, o pavão, o macaco,...) também se fazem presente. Constam ainda os instrumentos musicais, o ritmo rápido, a meia-máscara e a máscara inteira, as feições e as entonações exageradas. Tratam-se de três histriões, chegando ao palco para contar sua história ao público, esse sempre diferente, novo a cada noite, diferente em cada praça. Tudo isso, engendrado e disposto com vistas não a uma história farsesca, com uma narrativa cheia de pontos de mudança e de piadas conhecidas de gosto popular, mas a algo totalmente inusitado: o discurso filosófico. 

Nessa produção, a família Gracindo está em cena, comemorando o seu centenário de dedicação ao teatro, o ofício que está sendo passado de pai para filho: seus dissabores, seus momentos mágicos, as técnicas, os conceitos, os valores escondidos por trás de cada opção na construção da carreira. Moncho Rodriguez, sob encomenda, constrói um texto primoroso em que disseca com cor, graça, profundidade, beleza e altíssima profundidade e inteligência um texto ímpar em que atores e público são convidados a refletir sobre o que é o teatro, quem são os atores e quem é o público. Qual é o papel de cada um nesse encontro? Quem é cada um? Num esforço ontológico de buscar definições que identifique as partes, mas sem ficarem-se presos em suas descobertas, a intenção é manter a liberdade etérea na qual está o cerne da arte da encenação. Com grande habilidade, o grupo tergiversa sobre o mesmo tema, prendendo a atenção do público, mantendo a plateia em estado de pensamento reflexivo, em catarse e, ao mesmo tempo, em racionalização, casamento esse que é fruto da união inimaginável entre a farsa totalmente superficial e o discurso retórico bastante carente de atenção. Radicado no nordeste brasileiro, o trabalho de Moncho Rodriguez, nesse espetáculo, é uma pérola. 

Os três Gracindo interpretam histriões: atores em personagens e em si próprios nesse misto de teatro e de vida além da narrativa que nem sempre tem limites bem definidos. Paulo, o pai, sustenta uma figura forte, o pilar de sustentação dos outros dois: uma voz extremamente bem usada; uma interpretação comedida, mas não discreta; a concretização da força, da sabedoria e o semblante de quem, aos poucos, começa a deixar para os jovens o cabo da nau, como uma vez, das mãos de seu pai, aconteceu com ele. Com excelente dicção, vê-se ali um belíssimo trabalho de interpretação no uso dos tempos, no reforço das pausas, na exploração das diferentes intenções, entonações e dos desenhos de movimentos. Pedro segue o mesmo caminho, sustentando a liberdade e a espontaneidade na interpretação de sua figura, além de extremo bom uso dos instrumentos musicais: voz, violino e violão. Gabriel, bem dirigido, está mais frio no início da apresentação, mas percebe-se nele um crescimento ao longo da peça, de forma que, no final, o elenco está unido, unânime, coeso, coerente e com laços sólidos. 

Com produção de Osni Júnior, “Canastrões” apresenta um excelente resultado em todos os aspectos: cenário, figurino, trilha sonora e iluminação, todos esses elementos assinados por Rodriguez. Talvez seja esse um dos motivos da articulação tão firme entre os dois extremos tão inusitados: a farsa e a filosofia. 

Em cartaz na cidade, uma peça rara. A história de uma família, uma homenagem a si próprios, mas também aos seus pares; a citação de diversos elementos da nossa cultura (e São Saruê é apenas é uma delas) e, sobretudo, um manifesto bom uso de vários recursos do repertório teatral. Excelente! 

*

FICHA TÉCNICA
Texto e encenação: Moncho Rodriguez
Trilha sonora: Pedro Gracindo e Narciso Fernandes
Cartaz: Juarez Machado
Fotos: Guga Melgar
Diretor de palco e Operador de luz: Cristiano Cássio
Direção de produção: Claudia Goldstein
Produção Executiva: Osni Jr
Realização: Gracindo JR Produções

ELENCO:
O Enviado: Gracindo Junior
O Acontecido: Gabriel Gracindo
O Inevitável: Pedro Gracindo
O Oportuno: André: Gracindo