sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Minimanual de Qualidade de Vida (RJ)

Alexandra Richter brilha como a
palestrante Angelina Pimenta

Foto: divulgação

Engraçadíssimo!

            “Minimanual de Qualidade de Vida” é uma programação engraçadíssima na Sala Tônia Carreiro, do Teatro do Leblon. Com texto de Ana Paula Botelho e de Daniela Ocampo e com brilhante interpretação de Alexandra Richter, o monólogo é ágil, vivo e surpreendente. Chamado de “Palestra”, pela personagem Angelina Pimenta, da editora “The Winner Takes It All”, a sessão consiste na exposição de alguns capítulos, escolhidos a partir da paciência da palestrante, do tal livro chamado de  Minimanual. No entremeios, detalhes da vida particular da palestrante, suas próprias opiniões sobre os assuntos e um profícuo diálogo com o público. Dirigido por Ocampo, a peça não engana ninguém: do título ao cartaz de divulgação, eis aí entretenimento puro e de grande qualidade.
            Com cenário simples, excelente videografismo da dupla Rico e Renato Vilarouca, iluminação adequada de Orlando Schaider e boa trilha sonora de Paulo Mendes, o público se diverte com o jogo que se estabelece entre a atriz e o público, a atriz e o livro, ela e a personagem da empregada, o vídeo-animação que aparece no telão e a trilha sonora. As piadas acontecem naturalmente e, por isso, no tempo certo, fazendo com que a evolução da dramaturgia evolua facilmente. Rapidamente, a plateia se identifica e, sentindo-se à vontade, começa a participar da peça espontaneamente.
            Alexandra Richter brilha em cena nessa comédia escrachada e de excelente gosto. Os dramas da vida cotidiana são expostos a partir de outros pontos de vista e, mesmo quem não os vive, acaba por divertir-se pela qualidade da articulação dos estereótipos usados. Em todos os sentidos,  um  ótimo divertimento.

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Ficha técnica:
Texto: Ana Paula Botelho e Daniela Ocampo
Direção: Daniela Ocampo
Elenco: Alexandra Richter
Direção Executiva: Gustavo Nunes
Assessoria de Imprensa: Uns Comunicação
Assistente de direção: Bárbara Divivier
Assistente de Fotografia: Mariana Varella
Assistente de Produção: Adriana Lemos
Captação de Recursos: Renata Borges Pimenta
Cenógrafa: Clívia Cohen
Diretor de Cena: Hildo de Assis
Figurinista: Patrícia Muniz
Filme de Abertura: Eduardo Chamon
Iluminador: Orlando Schaider
Operador de som e de multimídia: Janser Barreto
Preparação Corporal: Márcio Cunha
Preparação Vocal: Rose Gonçalves
Produtor Executivo: Helber Santa Rita
Trilha Sonora: Paulo Mendes
Videografismo: Rico e Renato Vilarouca
Visagismo: Fernanda Santoro
Produção: Turbilhão de Ideais 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trabalhadores do Mar (RJ)

O grupo Alfandega88 em mais um
excelente espetáculo.
Foto: divulgação

Um belo romance em uma bela cena

Trabalhadores do Mar” é a versão teatral do romance homônimo do francês Victor Hugo (1802-1885) escrito em 1866. Adaptado e dirigido por Diego Molina, o espetáculo segue o estilo “romance em cena” em que os atores são, ao mesmo tempo que os personagens, os contadores da história/seus leitores. Nesse sentido, o espetador deve esperar por um ritmo mais lento do que a simples encenação da história, mas também uma visão mais profunda por sobre a obra original, sua trama, seu valor literário. Ao contrário do que possa se pensar, a técnica não diminui o teatro em relação a literatura, pelo menos não no trabalho de Molina. Produzido pelo grupo Alfândega88, eis aí uma obra que experimenta o teatro com delicadeza e força, intensidade, liberdade e paixão. 

O título é correto. “Trabalhadores” não nomeia uma só pessoa, mas um grupo. O grupo é o protagonista do livro e da peça, o conjunto de seus personagens e suas relações. A narração começa com a apresentação do bárbaro Gilliatt (Gil Hernandez), mas, assim que possível, foge dele para a introdução de outros personagens. Vem aí o próspero Mess Lethierry (Fernando Lopes de Lima) e sua sobrinha Déruchette (Pâmela Côto), o trapaceiro Rantaine e o Sr. Landoys (Leonardo Hinckel), o capitão Zuela e o timoneiro Tangrouille (Filipe Codeço) e o honesto Sr. Clubin (Edson Cardoso), entre outros personagens. O que une todos essas figuras é o mar e o transporte sobre ele, feito sobretudo pela Durande, o primeiro navio a vapor, propriedade de Mess Lethierry, cuja trajetória é contada na narrativa. Dentro do gênero romântico, Hugo constrói personagens idealizados, redundantes, extremamente coerentes: a bela mocinha, o herói rústico, o homem de sucesso, o ladrão, o trabalhador, o beberrão. É nesse sentido que uma má adaptação poderia superficializar o romance na hora de atualizar para o palco. Mantendo as descrições dos personagens, as lapidações que o escritor faz em cada uma de suas “perólas”, Molina permite que cada figura tenha não só forma, mas cheiro e sabor. A história é contada com a calma com que o livro é lido e o ritmo, apesar de lento, não é arrastado. Reconhece-se as partes clássicas: a apresentação, o desenvolvimento, o clímax e o desfecho, sendo esse último o ponto alto de Victor Hugo que se mantém, pela duração menor (pois a peça dura noventa minutos e o livro requer dias para a sua leitura), com ainda maior relevância. 

A cenografia proposta por Molina e pelo grupo é esplêndida. Além de trazer a possibilidade de vários níveis de narrativa, oferece índices facilmente remetentes ao navio e à Baía de Saint-Sampson, na Ilha de Guernesey, onde a história acontece. Articulados, os andaimes oferecem obstáculos, aberturas, fechamentos, lugares escondidos, transparências, além de, auxiliados pela luz de Aurélio de Simoni, manifestar um belo quadro ao espectador. Os figurinos de Inês Salgado e a direção musical de Felipe Habib conferem cor, movimento e clima para a narração acontecer elegantemente a contento. 

Como já aconteceu em “Labirinto”, "O trem, o vagão e moça de luvas” e em “A negra felicidade”, o trabalho de interpretação do elenco de Alfândega88 é excelente sem exceções. Vale destacar Fernando Lopes Lima (Mess Lethierry), Filipe Codeço (Tangrouille e Zuela), Leonardo Hinckel (Rantaine) e Mariana Guimarães, talvez, por, no determinado dia da análise, oferecerem um resultado um pouco mais visível que os dos demais. O conjunto é sólido, coeso, forte, estabelecendo com o público uma relação parcimoniosa, respeitosa e honesta que acaba por convencer e agradar perfeitamente. 

O amor ao teatro do grupo Alfandega88 não é visto apenas na riqueza de detalhes com que os últimos espetáculos têm sido construídos, mas sobretudo no carinho com que o Teatro Serrador/Sala Brigitte Blair tem sido mantido. Construído nos anos 40, sem reformas desde os anos 50, o palco e a plateia estão lá: ainda dignos, seguros e utilizáveis com boa vontade e admiração. É bonito ver o público da Cinelândia acorrer às sessões sempre a preços populares. Nada menos que um convite para o público das outras zonas da Cidade Maravilhosa. 

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Ficha técnica:
Texto: adaptação do romance homônimo de Victor Hugo. | Tradução: Machado de Assis. | Elenco: Danielle Martins de Farias, Denise Pimenta, Edson Cardoso, Fernando Lopes Lima, Filipe Codeço, Gil Hernandez, Leonardo Hinckel, Mariana Guimarães e Pâmela Côto. | Direção musical e Piano: Felipe Habib. | Iuminação: Aurélio de Simoni. | Supervisão de cenografia: Fernando Mello da Costa. | Cenografia: Diego Molina e Alfândega 88. | Figurinos: Inês Salgado. | Assistência de figurino : Pâmela Côto. | Direção de movimento: Juliana Medella. | Programação visual: Peter Boos. | Assessoria de imprensa: Sheila Gomes. | Direção de produção: Diego Molina, Mariana Guimarães e Pâmela Côto. | Realização: Alfândega 88 e Urbana Produções.

Tudo por um PopStar (RJ)

Jullie, Larissa Bougleux, Thati Lopes e Thais Belchior
brilham no elenco de "Tudo por um PopStar"
Foto: divulgação

Excelente!

A Aventura Entretenimento estreou nesse último final de semana seu segundo grande musical de 2013. “Tudo por um PopStar” tem exatamente tudo o que o primeiro não tem: um excelente texto roteiro de Gustavo Reiz, adaptando o primeiro livro da best seller Thalita Rebouças, uma direção ágil de Pedro Vasconcelos, um repertório vibrante (direção musical de Jules Vandystadt) que conclama a plateia a cantar a bater palmas junto com os cantores e, sobretudo, de ótimos a excelentes trabalhos de interpretação. “Tudo por um PopStar” é, sim, assumidamente uma peça voltada para o público adolescente. Mas, como também acontece com o teatro infantil, os elogios lhe recaem porque ela consegue resgatar nos adultos o adolescente que ainda existe dentro deles. Eis aí um grande espetáculo! 

Nos primeiros dez minutos, o público já sabe qual é a história, o que está por acontecer, quem são os personagens, o que eles querem. Está claro que haverá um final feliz, mas esquecer disso é uma opção que o espectador faz em prol da boa fruição: queremos saber como as heroínas atingirão o seu objetivo. Manu (Jullie), Ritinha (Larissa Bougleux) e Gabi (Thati Lopes) descobrem que seus ídolos, a banda Slava Body Disco Disco Boys, está vindo para o Brasil e fará apresentações no Rio e em São Paulo. Menores de idade e moradoras do distante município de Resende, como elas farão para 1) convencer seus pais a irem ao show; 2) conseguir dinheiro para viagem, hospedagem e ingressos; e 3) ficarem o máximo possível pertinho de seus ídolos? Aí o drama incia e a plateia começa torcendo por elas. Surge Babete (Thais Belchior), prima mais velha de Manu, e que poderá ajudá-la, mas os desafios seguem. O carro não funciona, a Dona Eulália (Suely Franco) que ficou de leva-las ao Maracanã se atrasa e os problemas continuam aparecendo. Ou seja, habilmente, Reiz entende que quanto mais desafios houver que distanciem o herói da conquista de seu objetivo, mais interessante fica a história, pois é justamente a driblagem desses obstáculos que fortificam os protagonistas, fazendo deles personagens realmente dignos de nossa admiração. 

Pedro Vasconcelos expõe na sessão de estreia (para convidados) um espetáculo com excelente ritmo. A história flui rápida e naturalmente em um ótimo jogo entre os atores e o público e entre os diálogos e o vídeo. O texto é coberto de piadas engraçadíssimas, com participações virtuais do Chapolim, de Suely Franco, Marcia Cabrita e de um filhote de cachorro com cara de “pidão”. O fusca verde Maneco reforça o carisma, os jornalistas de vários estados brasileiros apresentam a força da banda visitante, e a narração da própria Thalita Rebouças é bastante bem articulada com a narração. 

O trabalho de interpretação apresenta grandes jovens atrizes. Jullie, Bougleux, Lopes e Belchior, as protagonistas, ganham o público, dominando o palco com força, conteúdo, clareza e graça. Os demais atores, em participações menores, também acompanham no mesmo sentido e em igual positivo valor. O conjunto levanta a plateia que não sente passar os noventa minutos da narração.

São bastante positivos o figurino de Claudio Parreiras, apresentando bem os personagens e colorindo a história com as figuras criadas pelo texto e pela encenação. Na mesma direção, a iluminação de Luciano Xavier aumenta o tamanho do palco, invade a plateia e conta a história junto com os diálogos e a movimentação. São vivas as coreografias de Alan Rezende, dando forma para a direção musical e os arranjos de Jules Vandystadt, que inclui no repertório de músicas de várias décadas que une a plateia em côro. O único senão da produção é o cenário de Ronald Teixeira que não diz a que veio com as letras emoldurando a rotunda/tela de exposição. 

Thalita Rebouças resgata no público de todas as idades o amor e a admiração por seus ídolos. Depois dos trinta, como jornalista, eu acompanhei por três dias jovens de todas as idades, vindo de todos os estados brasileiros, acamparem em frente ao Hotel Fasano para ter a oportunidade de ver pessoalmente um simples aceno da Lady Gaga no final do ano passado, quando ela veio se apresentar no Brasil. O choro, a dificuldade, a determinação em gritar o nome da estrela, de pedir encarecidamente aos motoristas que passavam de buzinar para que isso chamasse a atenção da ilustre hóspede, o sacrifício em prol de um sonho. Longe de qualquer preconceito, a imagem emociona e é isso que está na história de Rebouças. Mas há algo mais: a força incomparável na vida de todos e de cada um de termos amigos de verdade. Bravo! 

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Ficha técnica

Direção: Pedro Vasconcelos
Roteiro: Gustavo Reiz
Co-direção: Marco Bravo

Elenco: Christian Villegas, Gabi Porto, Igor Pontes, Jullie, Larissa Bougleux, Marco Bravo, Raphael Rossatto, Rosana Chayin, Thais Belchior e Thati Lopes

Músicos: Lancaster Lopes (contrabaixo), Léo Bandeira (bateria) e Tony Lucchesi (piano)
Iluminação: Luciano Xavier
Cenário: Ronald Teixeira
Figurinos: Cláudio Parreiras
Direção de Produção: Aniela Jordan
Supervisão de roteiro: Thalita Rebouças
Direção Musical: Jules Vandystadt
Desenho de som: Claret
Coreografia: Alan Rezende