domingo, 6 de outubro de 2013

Quem tem medo de Virgínia Woolf? (RJ)

Dirigido por Victor Garcia Peralta, elenco apresenta
excelentes trabalhos
Foto: divulgação

Excelência e rigor


“Quem tem medo de Virgínia Woolf?” é a peça mais famosa do mais importante dramaturgo vivo (e em atividade) da história do teatro universal. O norte-americano Edward Albee (nascido em 1928) a escreveu em 1962 e, desde então, montagens bastante meritosas mantêm acesas as chamas do bom teatro. O teórico Martin Esslin estava certo ao ler a obra a partir do gênero Teatro do Absurdo, na variação das atualizações para a América, em paralelo ao teatro europeu. Como em Sartre, Beckett ou Ionesco, temos aqui diálogos descontínuos e uma situação de aprisionamento que dizem mais sobre a complexidade do mundo contemporâneo do que o realismo, o romantismo ou mesmo o Teatro Pós-Dramático. O título pode, também, ser traduzido por “Quem tem medo de viver a vida sem falsas ilusões?”, pergunta que é respondida na fala final de Marta, esposa do professor Jorge, ambos anfitriões do jovem professor Nick e de sua esposa Mel. O chant, cantado sob a melodia de “Quem tem medo do Lobo Mau?” (em algumas versões, preferiu-se “Cabeça, ombro, joelho e pé” em função dos direitos autorais da canção do filme “Os três porquinhos”, da Disney), animou a festa dada pelo pai de Marta, reitor da Universidade onde Jorge e Nick trabalham, aos professores. Agora ele anima a recepção que Jorge e Marta oferecem em sua casa, começando por volta das duas da manhã. Dirigido por Victor Garcia Peralta e viabilizado pelo sempre excelente e bem vindo projeto VivoEnCena (louvores a Marcelo Romoff e a Expedito Araújo!), o espetáculo está em cartaz no Teatro dos Quatro, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, sendo uma das melhores, porque vibrante, produções de 2013 no país. Embora Zezé Polessa e Ana Kutner apresentem trabalhos esplêndidos de interpretação, são Daniel Dantas e Erom Cordeiro quem, pelos motivos a seguir expostos, se destacam. Outro ponto relevante é o cenário de Gringo Cardia nessa peça que só oferece valores à programação teatral carioca. 

Jorge e Marta estão casados há 23 anos quando, nessa madrugada dos anos 60, nos Estados Unidos, recebem Nick e Mel em sua casa. Já bêbados e cansados, não só da noite mas um do outro, é preciso receber os visitantes para cumprir a ordem dada pelo Reitor de tratar bem o “novato” e sua esposa. Sem opção de não atender à campainha, a segunda festa começa sob a música de, essencialmente, quatro jogos cheios de perversidade: “Humilhando o anfitrião”, “Comendo a anfitriã”, “Pegar as visitas” e “Nosso filho”. Albee, assim, faz parceria com Ionesco e com Sartre evidenciando personagens vítimas de regras por eles desconhecidas. Essa é a metáfora e a contribuição do Teatro do Absurdo para a contemporaneidade: nós, humanos, permanecemos, como os gregos e elizabetanos – fantoches do destino, quase sempre incapazes de compreender as “linhas tortas” que os deuses escreveram. Jorge e Marta são carrascos um do outro desde que Marta percebeu que seu marido não era o “vencedor” que ela quis que ele fosse. Jorge, por sua vez, vinga-se de si próprio e de Marta, sendo ainda mais apático e, com isso, tragicamente irônico, do que por natureza ele parece ser. A crueldade constante e cada vez pior dos seus diálogos fazem direta oposição ao sentimentalismo hipócrita (e cafona) do modo como Nick e Mel se tratam, esses ainda no início do casamento e no começo da vida. Com o avançar da noite, e o gastar das falas sádicas, Jorge e Marta vão sendo vencidos pelo amor que um sente pelo outro. Por outro lado, o destino de horror vai sendo vislumbrado pelo jovem casal, esse também prisioneiro. (Albee sugere que Nick tenha se casado com Mel pelo dinheiro do sogro, um pastor evangélico.) 

Ao contrário do que os jovens atores costumam pensar, o Teatro Pós-dramático não é um grande desafio, simplesmente porque o gênero traduz para a arte cênica as ações e as interpretações do homem contemporâneo. Nesse sentido, o chamado “teatrão” é que é um obstáculo pelo qual todo esforço vale a pena. Normalmente em peças contemporâneas, Ana Kutner “dá a cara a bater” no personagem de Mel e vence o desafio, trazendo foco, concentração, técnica e talento que depõem a seu favor e em favor do espetáculo positivamente. Zezé Polessa, por sua vez, apresenta um dos trabalhos mais marcantes do ano em interpretação de personagem protagonista, viabilizando uma Marta sensual, ferina, forte, sarcástica. O ritmo com que os diálogos são ditos por ela, ao atualizar a comédia da qual a atriz é expoente, promove um fluxo textual que não se viu em Elizabeth Taylor, ícone da construção desse personagem no cinema. Por isso, temos aqui uma Marta à brasileira que atende às referencias e à linguagem do público e, assim, fazem Albee chegar à plateia muito mais naturalmente. Considerando as boas prerrogativas dessas duas atrizes, seu sucesso não nos surpreende. O mesmo não se pode falar de Daniel Dantas e de Erom Cordeiro, embora os motivos que lhes deem destaques sejam diferentes. 

Não há dúvidas de que Cordeiro é um bom ator, mas sua participação em “Quem tem medo de Virgínia Woolf?” só pode ser avaliada pelo interesse que o intérprete traz ao personagem de Nick, sem dúvida, a figura menos privilegiada do drama de Albee. Em vários momentos, a força de Cordeiro dá a Nick cores de heroísmo, fazendo-o co-protagonista ao lado de Jorge e não apenas coadjuvante. Não há um só momento em que Cordeiro esteja apagado em cena, apresentando um trabalho que situa o jovem professor em uma função opinativa, irônica, muito mais interessante do que se espera. Quanto à Daniel Dantas, quem está acostumado a sempre vê-lo repetir os mesmos personagens na televisão há décadas há de se surpreender aqui. Quanto mais chegamos ao fim da narrativa, maior ele parece estar diante da Marta de Polessa, o que é excelente visto o equilíbrio que se atinge com o feito. Mais uma vez, o teatro carioca tem no seu palco um conjunto de elenco que é unânime em positividade, conferindo justificativas para um aplauso agradecido ao trabalho da direção. 

É verdade que os trabalhos de figurino (Marcelo Pies), de iluminação (Maneco Quinderé) e de trilha sonora (Marcelo Alonso Neves) são positivos, mas o destaque é da concepção de cenário de Gringo Cardia. “Quem tem medo de Virgínia Woolf?” é lido como Teatro do Absurdo, mas não menos corretamente tido como uma atualização do gênero neorrealista norte-americano, cujos expoentes são Tennessee Williams e Arthur Miller. Nesse sentido, as marcas de verossimilhança presentes na cena, essa vazada com vistas ao infinito, são sólidas bases para o dramaturgo e o diretor brincarem com seus quatro “fantoches”. O girar da sala, em uma interessantíssima mudança de eixo, faz o cenário deixar de ser apenas ilustrativo ou informacional, mas passar também a ser plenamente cênico, isto é, capaz de contribuir para a narrativa não apenas como argumento, mas como argumentador. 

Muito antes dos milhares de amigos do Facebook, das cutucadas e dos curtires, dos smiles via Whatsapp, dos seguidores do Twitter e da venda quase livre do Rivotril, “Quem tem medo de Virgínia Woolf?” falava (e fala!) sobre a sedutora vida de ilusões sob a qual muitos de nós preferem se abrigar para não enfrentar a realidade. Quando elas se esvaem, na vida, restam apenas os vencedores. Jorge e Marta, assim, nos fazem um belo convite para uma noite de chagas, mas com uma essencial recompensa. Esse convite precisa ser aceito! 

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FICHA TÉCNICA:
Texto: Edward Albee
Tradução: João Polessa Dantas

Elenco: Zezé Polessa, Daniel Dantas, Erom Cordeiro e Ana Kutner

Direção: Victor Garcia Peralta
Direção de arte / cenografia / programação visual: Gringo Cardia
Iluminador: Maneco Quinderé
Figurinos: Marcelo Pies
Visagismo: Fernando Torquatto
Trilha Sonora: Marcelo Alonso Neves.
Assessoria de imprensa: Approach Comunicação Integrada
Operador de som: Yuri Ribeiro
Operador de luz: Mario Junior
Lei de incentivo: Sodila Projetos Culturais
Produção executiva: Carmem Oliveira
Direção de produção: Giuliano Ricca
Produtores Associados: Zezé Polessa/Giuliano Ricca
Realização: MJC Polessa Produções Artísticas / Ricca Produções Artísticas

sábado, 5 de outubro de 2013

Incêndios (RJ)

Marieta Severo em grandioso trabalho
Foto: Leonardo Aversa

Maravilhosamente sedutor


“Incêndios” é um acontecimento raro infelizmente. Um elenco que reúne grandes atores, uma produção que une grandes artistas, um espetáculo a partir de um grande texto. Escrito pelo libanês Wadji Mouawad (1968), o texto coleciona prêmios ao redor do mundo desde quando lançado há dez anos. Na história, temos uma mulher que, ao morrer, faz nascer aos olhos dos filhos a sua própria vida. Um casal de gêmeos, ao conhecer o testamento da mãe, é chamado para retornar ao ponto inicial que hoje poderá explicar sua existência. Nesse trajeto, hão de encontrar, e o público também, com várias pessoas que explicarão os contornos, pois não há fogo sem algo (ou alguém) que queime. Aderbal Freire-Filho, em seu currículo grandioso, apresenta um trabalho ímpar, porque aqui é humilde em se apagar. Fazendo-se grande no excelente uso do idioma teatral em todas as suas ferramentas, a peça parece contar-se sozinha, ao natural, de forma simples e fluente, apesar de sabermos movimentar uma meticulosa máquina cênica. Marieta Severo, Kelzy Ecard e Isaac Bernat fazem brilhar uma história da qual não se consegue tirar os olhos um só minuto sequer, maravilhosamente sedutora. Ao lado dos demais do elenco, o trio mantém o excelente ritmo que as fábulas contadas ao redor da fogueira têm para espantar a noite mais escura e fazer calar o coração. “Incêndios” é excelente. 

Três cartas são deixadas como herança aos dois filhos. À gêmea, cabe entregar uma carta ao pai, esse que sempre pensou-se estar morto. Ao gêmeo, cabe entregar uma carta ao irmão mais velho dos dois, esse que sempre pensou-se nunca ter existido. Cumpridas as entregas, os dois poderão aí, enfim, escrever o nome da mãe na lápide vazia e receber do tabelião a terceira carta, essa, sim, dirigida a eles. Surge, dessa forma, todo o passado da mãe, sua mãe, sua avó, seus amigos e inimigos. Mouawad parece escrever a história de Jocasta (Sófocles), que teve seu filho arrancado de suas mãos numa tola tentativa de espantar, com isso, o destino já definido. Nesse tipo de texto, pode-se escolher entre buscar a sua sorte ou esperar que ela venha, mas, quanto à sua vinda, disso não há como ter dúvidas. Presos a uma situação, a uma missão materna em honra do próprio sangue que lhes corre nas veias, os dois irmãos unem a Grécia Antiga ao Teatro Contemporâneo, saindo de Sófocles, passando por Shakespeare e por Raccine, chegando em Sartre, em Ionesco e em Beckett. De tempos em tempos, o teatro faz lembrar o homem que a vida é também existência e que ser sujeito ou ser objeto nem sempre é uma escolha. 

Aderbal sabiamente usa o espaço vazio para contar teatralmente a história escrita por Mouawad. O vazio, pois, só assim o é porque é o contrário de preenchimento. Sem alguém no palco, nunca teria valor o vazio e, se, nessa encenação, há sempre uma cena começando, se desenvolvendo ou começando imediatamente ao fim da anterior, é porque cada vez mais o vazio precisa ser esperado. Navval (Marieta Severo), a mãe de Jeanne (Keli Freitas) e de Simon (Felipe de Carolis), morreu após um período de cinco anos em silêncio absoluto. Ela estava vazia de palavras, como é vazia de expressões a impressionante interpretação de Marieta Severo nesse personagem tão seco, tão árido, tão duro. O cenário de Fernando Mello da Costa, porque leva o vazio horizontal do palco para a verticalidade das paredes enferrujadas, faz metáfora para o vermelhidão do sangue de lobos na terra abandonada por Navval, para a podridão de histórias há muito esquecidas no passado, mas lá presentes. Com cenas rápidas, articuladas magistralmente, a direção apressa o ritmo da sincronia enquanto abrilhanta a diacronia. Assim, os fatos se dão a ver com força e existência com a mesma intensidade com que os monólogos se impõem aos diálogos e ganham a atenção pela sensibilidade, pela coragem e pela riqueza de detalhes com que são ditos. De personagens protagonistas à quase figurações, todos os personagens surgem nessa história com uma trágica função: não há nada, enfim, que passe despercebido pelos olhos dos deuses. Aos trabalhos de iluminação de Luiz Paulo Nenem, de figurinos de Antônio Medeiros e de trilha sonora de Tato Taborda, só se devem elogios. 

Se, nos elementos cênico-narrativos, “Incêndios” é um sucesso, nas interpretações, eis aqui um furor. A dificílima inexpressividade com que Marieta Severo colore sua personagem equilibra-se com a forte presença cênica de Kelzy Ecard. Uma aparece muito mais que a outra, mas, no teatro, arte cujo todo só pode ser contemplado inteiramente quando já não existe, a impressão é que estão sempre presentes, uma ao lado da outra. O mesmo jogo de oposições, responsável pela complexidade, se vê nos trabalhos de Freitas e de Carolis, que interpretam os irmãos. Os quatro personagens estabelecem as bases sólidas que fazem com que “Incêndios” se dê a ver. Por sua vez, Fabianna de Mello e Souza e Isaac Bernat, na delicadeza com que constroem suas figuras numerosas e diferentes, preenchem o todo, enquanto Julio Machado e Marcio Vito fazem os cortes: o carrasco e o anjo da guarda. O mérito da excelência do trabalho de elenco, em seu conjunto, mas também em cada parte, é da direção de Aderbal Freire-Filho: o texto bem dito, as intenções bem colocadas, as pausas bem feitas, os movimentos e gestos ágeis, cheios de póetica e sobretudo claros. 

O gesto de jogar baldes d`água no corpo a ser enterrado é tão cheio de sentidos que sua força significativa é argumento definitivo para “Incêndios” ser assistido, ser lido, ser visto no cinema também. À peça, aqui, o aplauso agradecido! 


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FICHA TÉCNICA:
De Wajdi Mouawad
Tradução: Angela Leite Lopes
Direção: Aderbal Freire-Filho

Com Marieta Severo, Felipe de Carolis, Keli Freitas, Marcio Vito, Kelzy Ecard, Fabianna de Mello e Souza Julio Machado e Isaac Bernat

Cenografia: Fernando Mello da Costa
Iluminação: Luiz Paulo Nenen
Figurinos: Antonio Medeiros
Trilha Sonora: Tato Taborda
Direção de Produção: Maria Siman
Produção Executiva: Luciano Marcelo
Produtores: Felipe de Carolis, Maria Siman e Marieta Severo
Produtor associado: Pablo Sanábio
Idealização do Projeto: Felipe de Carolis
Realização: Emerge, Primeira Página Produções e Teatro Poeira

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Não há melhor do que a nossa casa (RJ)

Marcéli Torquato, Ícaro Salek e Iuri Kruschewsky em cena
Foto: divulgação

Indeciso e monótono
“Não há melhor do que a nossa casa” não diz a que veio. O espetáculo termina sem ser sobre lar, afeto, família, nem sobre laços embora essa intenção seja anunciada no release e no programa. O que se viu, no Palco da Sede das Companhias, é muito mais o resultado de um experimento de dramaturgia e de direção do que propriamente um bom espetáculo. Cheia de hermetismo, a peça escrita (em parceria com Ana Carolina Bradilli) e dirigida por Pedro Emanuel é monótona porque tergiversa cenicamente, fugindo cada vez mais de algum ponto enquanto chama a atenção para o uso dos signos sem objetivo definido aparentemente. É uma produção da Cia em Obra, grupo formado há um ano, por egressos do Curso de Teatro da UniverCidade. 

Dois núcleos narrativos estão justapostos. Em um deles, um casal (Ícaro Salek e Marcéli Torquato) que acabou de se casar, chega em seu novo lar. Em outro, três irmãos (Júlia Mendes, Iuri Krushewsky e Eduardo Parreira) procuram pela casa os documentos do imóvel a fim de vendê-lo diante do desaparecimento repentino dos pais. O clima expressionista se vê nos dois núcleos: os noivos nunca tiram a roupa da cerimônia de casamento, o marido sai constantemente de casa sem nunca dizer para onde vai, há um telefone que toca sem que ninguém fale do outro lado da linha. Em um determinado momento, os irmãos chegam à conclusão de que não se lembram de seus pais e não têm certeza de que eles realmente existiram. Não sabem seus sobrenomes e não há provas de que os três sejam realmente irmãos. Gisele (Mendes) tem pesadelos constantes em que vê um homem com capa de chuva. E chove. O espectador tem, com isso, pistas para identificar o casal como pais dos três irmãos, mas, enquanto se perde nessa investigação, fecha qualquer espaço para refletir sobre os temas anunciados: lar, afeto, família, raízes. 

A iluminação de João Gioia reforça o gancho expressionista, se utilizando de focos que deformam os personagens e preenchem o espaço de escuros e de diagonais que ficam interessantes sobre os seis painéis que giram pelo palco e dão a ver corredores imensos e labirínticos, ambientes que se esvaem, lugares oníricos (mas não surrealistas). No mesmo sentido, a trilha sonora de Alexandre Velosso, Liebert Rodrigues, Mario Terra e de Zeca Richa auxilia no clima de suspense que exala a emoção, essa semente para o contexto expressionista já apontado (A desforma das figuras é motivo da emoção de quem as vê. O espectador vê personagens e lugares tortos, porque faz isso através dos olhos conturbados dos personagens.), enquanto a forma como os atores dizem o texto é recheada de teatral musicalidade, criando na fala outro elemento aparente além do próprio texto. Por essa profusão descontínua de usos dos signos teatrais, conclui-se o hermetismo da produção.

Diante dessas marcas, pode-se dizer que ou “Não há melhor do que a nossa casa” fala muito mais de si e para si do que para o público, ou que não sabe o que diz, dizendo coisas interessantes sem saber que assim o está fazendo. Vale ainda citar que o elenco, assim como todos os demais elementos, têm trabalhos positivos, mas habitam, devido a essa indefinição conceitual, um lugar além da avaliação infelizmente. 

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Ficha Técnica
Texto: Pedro Emanuel, em parceria com Ana Carolina Bradilli
Direção: Pedro Emanuel
Assistente de direção: Pedro Casarin
Elenco: Eduardo Parreira, Ícaro Salek, Iuri Kruschewsky, Julia Mendes e Marcéli Torquato
 Iluminação: João Gioia
Cenário: Cadu Mader
Figurinos: Tiago Ribeiro
Trilha sonora: Alexandre Velosso, Liebert Rodrigues, Mario Terra e Zeca Richa
Músicos em cena: Mario Terra e Zeca Richa
Costureira: Lú
Realização: Cia em obra e Projeto VEM!
Produção: Luisa Barros
Assessoria de imprensa: André Gomes
Fotógrafa: Aline Macedo