Foto: divulgação
A homenagem que Milton Nascimento merecia
“Milton
Nascimento – Nada será como antes – O Musical” é o novo espetáculo com a
assinatura Charles Möeller e Cláudio Botelho. No show, há a celebração de 50
anos da obra de um dos mais importantes cantores e compositores brasileiros, o
mineiro de coração Milton Nascimento (1942). Ao longo de 90 minutos, 14 músicos
(todos os cantores também tocam algum instrumento) oferecem uma galeria de
canções que emocionam a plateia do Theatro Net Rio, o Terezão.
A
estrutura neoclássica do cenário com temas pastoris pintados no interior do
ambiente na cenografia de Rogério Falcão, auxiliado pelo tom multicor dos
figurinos de Möeller situam o espetáculo num lugar árcade onde as emoções serão
filtradas. A fazenda, o interior, a roça, é lá que a calma do campo há de
acalmar os corações, fazer a mente lembrar do passado e fechar as feridas.
Dividido nas quatro estações do ano, a dramaturgia de um espetáculo desse tipo
tem como contornos possíveis o grau de popularidade das canções do roteiro.
Cada um na plateia, assim, elege as canções que lhe são mais importantes e
define o ápice da produção e o tamanho do seu desfecho. “Bola de Meia, Bola de
Gude”, “Aqui é o País do Futebol” compõem o Verão, “A Cigarra”, “Um
Girassol da Cor do seu Cabelo” e “Nuvem Cigana” dão colorido à
Primavera. Clássicos que atravessaram gerações, como “Cais”, “Caçador de
Mim”, “Encontros e Despedidas” e “Faca Amolada”, moldam o Outono e
continuam pelo Inverno, com “Nada Será como Antes” e “O que foi
Feito Deverá”. Não faltam, claro, “Coração de Estudante”, “Nos bailes da vida”,
“Capoeira Camara” e “Maria, Maria”.
Estrela Blanco, Jonas Hammar, Jules
Vandystadt, Pedro Aune, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Kohler e Whatson
Cardozo, em conjunto e individualmente, apresentam bons números musicais, mas Claudio
Lins, Cassia Raquel, Délia Fischer, Lui Coimbra, Marya Bravo e Wladimir
Pinheiro lideram o grupo porque, além de técnica, dão lugar para a emoção que
as canções pedem.
Dos temas
bucólicos às relações, a obra de Milton Nascimento atravessa vários setores da
alma humana, abrindo docilmente algumas fendas definitivas. “Nada será como
antes” é uma merecida homenagem com toda a dignidade que a música brasileira
merece. Aplausos!
*
Ficha técnica:
CHARLES MÖELLER & CLAUDIO
BOTELHO
Criação e direção
ELENCO: Claudio Lins, Marya
Bravo, Délia Fischer, Cassia Raquel, Estrela Blanco, Jonas Hammar, Jules
Vandystadt, Lui Coimbra, Pedro Aune, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Kohler,
Whatson Cardozo e Wladimir Pinheiro.
DÉLIA FISCHER
Arranjos musicais
JULES VANDYSTADT
Arranjos vocais
ROGÉRIO FALCÃO
Cenografia
CHARLES MÖELLER
Figurinos
PAULO CESAR MEDEIROS
Iluminação
MARCELO CLARET
Design de som
TINA SALLES
Coordenação artística
CLAUDIO BOTELHO
Direção musical
CHARLES MÖELLER
Direção
Realização:
Möeller & Botelho
GEO


